Blablablá

Tanto blablablá em torno da revolução que anda em curso na publicidade e esse neon diz TUDO em duas micro-frases. Genial. Sensacional. Adorei.

Esse luminoso new rave tá em uma da salas da Iris Nation, agência canadense que faz de tudo um pouco. Apesar do insight legal, o site e o trabalho deles é meio caretinha. Eu diria a você a nem perder tempo no site, fica com a imagem do neon que já é a grande contribuição deles pro momento.

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Explicação para os não-publicitários que lêem o blog.

A publicidade está vivendo um momento crucial. Nadadenovo, esse assunto entrou em loop há uns 2 anos e agora não pára de ser repetido à exaustão em tudo que é palestra e veículo. Mas, retomando em poucas palavras, é o que diz o neonzito: toda idéia em qualquer mídia.

Que grande diferença é essa do que vinha sendo feito até então? Durante DÉCADAS a publicidade viveu financeiramente de AGENCIAMENTO DE ESPAÇO DE MÍDIA. Você é cliente, me contrata pra eu comprar espaço em televisão/jornal/mídia externa/rádio, eu ganho uma comissão sobre esse trabalho. Eu também crio o conteúdo que vai nesse espaço (comerciais, anúncios, jingles), mas meu faturamento vem mesmo é dessa comissão de mídia.

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Com o avanço brutalito da tecnologia modificando hábitos de comunicação e consumo de informação/entretenimento, a coisa pegou. Agora o cara que vivia na frente da TV pode estar disperso olhando as fotos do filho do amigo no celular ou então no messenger BEM NA HORA QUE PASSOU O COMERCIAL QUE CUSTOU CARÍSSIMO!!!!

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Problema número 1: é preciso criar conteúdo para um monte de outros canais e as agências não sabem muito bem como.
Problema número 2: não existe um modelo de remuneração pra cobrar essas coisas diferentes…

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Solução? Aprender a trabalhar de forma colaborativa com novas empresas. Aprender a trabalhar nicho. Aprender trabalhar de forma não linear, quebrando pacotes prontos.

Ou seja, fazer tudo o contrário do que vem sendo feito nos últimos 40 anos. Quem está preparado pra isso? Pouca gente de publicidade “convencional”. Muita gente de outras áreas. É por isso que empresas tipo de promoção, internet, marketing direto e conteúdo estão ganhando tanto espaço dentro dos clientes: tem um DNA mais aberto.

Ainda bem que eu tenho os Walverdes.

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Possíveis obstáculos a esse novo cenário e suas saídas.

Obstáculo 1: inclusão digital. Saída 1: camelôs e pirataria.
Obstáculo 2: Rede Globo. Saída 2: nada nesse mundo é eterno e sólido.

Ok?

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Mas quem tem mais pecha pra dizer isso tudo, melhor do que eu, é o Bob Garfield. O cara é colunista da Advertising Age, uma das publicações mais influentes do mundo na área. Esse cara é uma figura. Ele faz profissionalmente o que a gente faz na informalidade: fica criticando comerciais e anúncios, tipo crítico de música. No Brasil não tem isso muito não, o meio publicitário é todo pisando em ovos, ninguém fala muita coisa. Tem o blog de um cara que escreve como uma vovó detonando várias campanhas, mas é meio sarcasmo demais pro meu gosto.

Tu saca do riscado…mas que cabelinho hein?

Enfim, na Meio e Mensagem dessa semana, tem uma entrevista massa com o Bob Garfield. Num tom catastrófico mas divertido, ele faz um resumão do que vem dizendo nas suas colunas sobre o caos se aproximando… mas o melhor mesmo é um certo desencanamento na postura do cara.

“Antes de responder, preciso deixar claro que não sei nada, sou um crítico de propaganda e me divirto avaliando diversos comerciais de TV. Eu não sou um especialista, anda que eu tenha um programa de rádio que trate dos assuntos. Mas alguns pontos me pareciam tão óbvios que eu comecei a fazer perguntas a verdadeiros especialistas. As respostas não me convenceram. Comecei, então, a realmente estudar o assunto e montar a teoria. O assunto tem sido bastante debatido e fui convidado a participar de debates em vários países, com muitos minimizando a gravidade do que descrevi garantindo que a situação não seria tão extrema. Mas posso dizer que nos últimos dois anos e meio ninguém apareceu para apresentar um simples fato que refute o cenário que descrevi, que me parece cada dia mais real. Eu fico até nervoso, afinal, me expus e fico pensando se fui ingênuo ou se a qualquer momento num estalar de dedos alguém pode chegar e derrubar a minha argumentação. Mas ainda estou esperando.”

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Me identifiquei.

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(Infelizmente a Meio e Mensagem tem conteúdo fechado só pra assinantes… tsc, tsc, tsc…)

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Tá mas e daí?


E daí que vivemos um momento incrível para o surgir de novas oportunidades. Quem trabalha em publicidade não deveria se deixar levar pelo discurso-catástrofe. Não porque a catástrofe não vai acontecer. Ela VAI acontecer. E ela é uma BOA notícia.

Velhos padrões estão sendo quebrados. Novas formas de trabalhar estão aparecendo. As pessoas podem aprender coisas novas, entrar em novos universos, fazer cruzamentos com profissionais de outras áreas. Sim, é provável que a era da barbadinha de agenciar mídia e fazer anúnciozito acabou. Mas essa é a BOA notícia, a menos que você seja muuuuuito preguiçoso e não queria mudar um milímetro da sua vida. Porque, se você tem um pouquinho de espírito de aventura, esse é o melhor momento pra se trabalhar em publicidade desde que eu comecei nesse troço.

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O melhor, dessa história toda, é que os trabalhos exigem um envolvimento maior com os nichos que precisam ser atingidos. Se você se interessa por conhecer as pessoas, por entender como o ser humano funciona, por entrar em contato com formas diferentes de pensamento, essa é o momento. Nunca foi tão fundamental entrar em profundidade na vida do consumidor. E mesmo que seja para vender (esse pecado tão terrível…), exige

um maior envolvimento, um olho mais apurado e mais próximo. Quem souber aproveitar isso pra sua vida só tem a ganhar.

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(a má notícia é q nem todo mundo quer/sabe trabalhar assim. o q transforma alguns dias numa torturinha…)

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Mas voltemos ao copo meio cheio.

Semana retrasada eu estava lá no frio, de madrugada, participando do Flashrock da Converse e pensei nisso: estamos todos protagonizando um anúncio. Um anúncio diferente, mas um anúncio.Acho que eu nunca vi pessoas tão entusiasmadas em fazer um anúncio – e olha q havia cerca de 30 pessoas envolvidas e o ponto não era grana. Trinta pessoas achando divertido participar do anúncio, porque o envolvimento com o assunto era muito maior.

Quem souber trabalhar gerando esse tipo de sensação vai se dar muito bem.

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Bom, nao vamos ser ingênuos. Os picaretas também vão se dar bem, é verdade. Sempre vai ter os picaretas. Mas quem não quiser ser picareta vai se divertir muito mais, vai tirar muito mais disso, não vai acabar na frente do home-theater fumando charuto.

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A maneira de lidar com essa coisarada toda tem vários olhares. A agência inglesa Go Viral fez uma palestra em Cannes esse ano com o tema “WELCOME TO THE MEDIA YOUCRACY”. Nadadenovo, mais uma vez. MediaYoucracy, LongTail, Chaos 2.0… tudo aquilo que você e eu já sabemos e já vimos por aí de outra maneira.

Mas a FORMA como eles apresentam é muito clara e interessante. E a grande barbada: o livro que tem o conteúdo da palestra está disponível pra download gratuito em PDF. Vai lá no site e PEDE com jeitinho.

As imagens que ilustram esse post são todas desse PDF.

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Deixa eu só sublinhar uma última coisa aqui: com isso tudo eu não estou dizendo que estamos entrando em uma era de redenção com o espectador no poder, que vai comandar tudo e que “AGORA VAI”. Eu detesto “AGORA VAI”.

Sim, o lixo cultural vai continuar existindo. Sim, os grandes veículos vão continuar a trabalhar com tiros de canhão. Sim, ainda teremos blockbusters por aí durante um bom tempo.

Mas o fato é que quem quiser montar a sua rede e fazer as coisas do seu jeito tem muito mais possibilidades de se conectar, distribuir conteúdo ou então receber conteúdo de forma diferenciada. Esse é o ponto. Ok?

Isso aqui é o tipo de coisa que só pode acontecer num cenário desses. Lê a matéria no G1 e pensa em como isso poderia se espalhar dessa forma há dez anos. Não só se espalhar, mas ser considerado relevante. Tem coisa aí. A questão não é só o espalhe.

(Dica do Trabalho Sujo)

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Bom fim de semana.

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2 pensamentos sobre “Blablablá

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