Chatos e outras criaturas vivas


Quando alguém tem muito dinheiro, tende a achar que sempre está certo porque pode fazer quase tudo, de comprar um deputado a chutar uma professora no colégio, passando por mudar um hábito de consumo de toda uma região.

Trabalhar com publicidade tem um pouco disso. Dependendo do tamanho da agência ou do cliente com que você trabalha, é muito dinheiro em jogo, são projetos que visam criar forças consideráveis. No afã de tudo dar certo, é preciso admitir: às vezes nos passamos.

O grande problema é a coletividade. Sozinho, nenhum de nós faz grandes estragos e todos temos um bom nível de consciência a respeito das coisas. Mas no coletivo, nós publicitáros temos uma grande dificuldade de refletir. Não existe o hábito da reflexão coletiva em publicidade que não seja para melhorar a performance do negócio.

Felizmente, existem forças de resistência que colocam um pouco de peso do outro lado da balança. Infelizmente, essas forças se dividem entre os chatos e os que querem construir alguma coisa.

Primeiro, os chatos.

Há de se admitir que os chatos colaboram porque seu radicalismo muitas vezes gera visões tão extremas que chegam a ser interessantes e forçam uma autocrítica. Mas o grande problema dos chatos é que eles são chatos. Então mesmo suas boas idéias podem ser simplesmente ignoradas pela maior parte das pessoas porque eles são chatos! E nem sempre dá pra confiar no seu ponto de vista porque, olha, até parece interessante, mas eles são tão chatos que sei não. É complicado você querer conscientizar alguém com um copo de cerveja numa mão e a gola de uma pessoa na outra. O estilo Adbusters vai um pouco nessa pilha.

Depois, os que querem construir alguma coisa. Que são basicamente os chatos que não enchem o saco e que sabem se comunicar com bom humor e inteligência com as outras pessoas, sem um papo tão… cabeça?

Enfim. Como classificar um chato e um não-chato? Acredito que seja uma escolha pessoal. Mas abaixo vão três projetos que combatem alguns excessos de publicidade e que eu coloquei dentro do conceito de não-chatos.

Ma tu é bonito


O You Are Beatiful é uma ação que começou em 2005 com uns artistas que resolveram lançar uma campanha pra espalhar a frase acima citada por tudo quanto é canto. No site tu vê algumas intervenções deles – super simpáticas – bem como a adesão de outras pessoas que resolveram aderir à campanha.

Add Art

O AddArt é o seguinte: uma extensão pro Firefox que substitui todos os banners e pop-ups por obras de artistas novos. Essas obras que substituem a publicidade levam todas pra um pequeno website que traz informações desses artistas e de onde encontrar o trabalho dos caras.

Ou seja, é uma evolução dos AddBlocks, extensões que já existem e que substituem os banners por espaços em branco. O AddArt é produto de uma espécie de fundação que desenvolve uma série de projetos para software livre e compartilhamento de conteúdo, alguns interessantes e outros bem palha. É a Eybeam Openlab.

O Estadão, que andou ridiculamente metendo os pés pelas mãos numa campanha questionando os blogs, tá bem no seu caderno digital, o Link. Na semana retrasada, saiu uma boa matéria a respeito de marketing viral. O grande lance é um enfoque totalmente novo que ainda não foi abordado por ninguém de forma tão explícita: o consumidor quer ser veículo de publicidade? Viral é ético? Bem interessante, vale ler tudo.

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