Simplicidade – parte dois

O capítulo 2 é o segundo predileto do livro porque fala de um assunto que eu adoro: organização. O título do capítulo já é uma beleza: “Organização: faz muita coisa parecer pouca coisa.” Não é lindo?

O cerne do capítulo, no entanto, não é nada sobre arrumação de armários e mesas, mas sim a trajetória da “rodinha de controle” do iPod (sempre ele…), essa da imagem aí em cima. O ponto do Maedovski aqui é que a primeira rodinha era assim “mais ou menos”, mas resolvia. Um controle simplificado, de compreensão não muito difícil, bastava o cara se acostumar com o lance e pronto. Porém, talvez o lobby das pessoas com dedos gordos tenha agido e os designers da Apple tiraram os controles da rodinha e jogaram pra fora. O que era pra simplificar acabou complicando porque desintegrou a experiência intuitiva do dedão. O dedão antes circulava tranqüilo, resolvendo seus problemas de “ir pra frente” ou “ir pra trás” só na rodinha e de repente se viu obrigado a SAIR da rodinha e subir até os controles SEPARADOS. É muita mão!!!!

Finalmente, a Apple sossegou o facho e chegou ao controle atual, que parece não ter tido grandes reclamações – simplificou tudo, jogou tudo pra dentro da rodinha (sem leituras maldosas) e voalá! Temos agora (temos não porque eu não tenho iPod) um controle integrado, com todas as funções numa rodinha sem separações – desculpe pelo uso excessivo de termos técnicos.

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Eu tenho uma dica para os engenheiros da Apple.

E é de graça, aproveitem.

Sentaí e fica quieto!

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E por aí segue o livro, trazendo inúmeros exemplos de design industrial e da indústria da computação pra provar ponto a ponto a visão do Maeda sobre simplicidade. Em cada capítulo você encontra dois ou três insights bem valiosos, mas meio que precisam ser descontextualizados e recontextualizados pra valer a pena.

Por quê? Porque não tem nada de simples na maior parte dos exemplos. Ok, a interface do Google e do iPod são incrível e bem-vindamente simples. Mas olha toda a complicação que existe para essas coisas serem simples! Basicamente, para termos à disposição a interface do Google e a interface do iPod, você precisa ter à mão um Estados Unidos e uma China.

foto daqui

Isso não quer dizer que o Maeda não tenha consciência das coisas. Outro capítulo interessante é o de nome “Algumas coisas nunca podem ser simples”, onde ele faz um bonito mea culpa aceitando que nem todo mundo gosta de minimalismo como ele. Para exemplificar, fala de suas filhas, que costumam escrever EU TE AMO PAPAI num email cheio de letras coloridas, enormes, fontes misturadas e imagens. Toda teoria minimalista cai por terra por uma declaração de amor bem colorida e cheia de enfeites. “A simplicidade pode ser feia” diz o Maeda. “Uma certa dose de MAIS é sempre melhor do que MENOS. Mais amor, mais cuidado, mais ações significativas.”

Snif.

Passei a leitura toda me lembrando de um outro livro: “O Lama e o Economista – Diálogos sobre Budismo, Economia e Ecologia” onde o Lama Padma Samtem debate com o economista Victor Caruso Jr. O Lama Samtem, que costuma advogar a simplicidade como base para o caminho espiritual, aqui traduz sua visão ao oferecer saídas econômicas para o brete em que nos metemos todos hoje em dia.

“Em vez de maximizar os números da economia, seria maximizada a satisfação em um sentido mais profundo, e os números da economia seriam literalmente reduzidos. Hà vantagens em reduzir esses índices: a redução do impacto ambiental é uma delas. A tendência seria associar a simplicidade com a maximização da satisfação, e assim melhorar a saúde, a lucidez mental, o equilíbrio, o acesso à informação e à previdência. Seria ampliada a capacidade de apoio social às maias diversas necessidades e seriam beneficiados os processo em que as pessoas interagissem positivamente.”

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Sentaí e fica quieto!!

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Quer ouvir algo bem interessante sobre isso? Dá um pulo no podcast do Dzongsar Khyentse Rinpoche. “Zen, Sitting”. Em inglês.

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Esse assunto é complexo. Porque dá margem pra muita distorção. Porque o cara pode querer se livrar de tudo na vida externamente, jogar coisas fora, botar o pé na estrada, procurar uma casinha em cima do morro, plantar alface, e achar que está simplificando. Mas a simplificação pode significar fuga também, e aí tem problema. Porque uma hora tudo que não foi resolvido pode voltar. E se o cara é apegado DEMAIS à simplicidade externa, vai ficar nervoso. Não saber conviver com a complexidade é o maior inimigo da simplicidade.

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Ontem eu tava vendo House e lá pelas tantas ele, pra variar, sendo ácido com alguém. Não me lembro exatamente da fala, mas era algo assim.

“Não é fácil.”
“Eu não disse que era fácil, eu disse que era simples”.

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Chega de complicação!

Tá aqui o blog do Maeda.
Aqui tem uma entrevista bem interessante.
Aqui um link pra comprar o livro dele.
E esse aqui é pra comprar o livro do Lama Samtem.

TCHAU!

ATÉ SEGUNDA-FEIRA.

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3 pensamentos sobre “Simplicidade – parte dois

  1. E ai cara,tudo bem??Já terminou a leitura do livro, As Leis da Simplicidade?Se sim, e aí qual a sua conclusão, vale ou não a pena eu comprar também?No seu primeiro post você fala que começa interessante depois fica ruim, já no segundo parece que só tem elogios a ele. heheEu me interessei pelo livro, parece ser legal.Abraços!!!

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