Pânico em SP – Conector no Maximídia parte dois


Insight meu > em breve não existirá apenas um departamento de criação nas agências, mas três: o de criação, o de planejamento e o de mídia. Os projetos podem sair de qualquer lugar. Aqui na Escala isso anda acontecendo direto. Há trabalhos que são desenvolvidos dentro da área de Conexões sem necessariamente a participação da criação. Sei também de diversos casos em outras agências onde projetos diferentes têm saído do planejamento. Não me surpreendo se campanhas começarem a ser (ou já são…) desenvolvidas direto no atendimento ou no RTVC. Por que não? Me parece mais lógico ter pessoas capacitadas a desenvolver idéias em todos os departamentos do que concentrar em apenas um. Claro que isso também exige um outro esquema de funcionamento, uma outra cultura, uma abertura e uma disposição de quebrar paredes – não a quebra de paredes físicas dos anos 80 (nos anos 90 pintaram tudo de branco), mas a quebra de paredes dentro da mente de cada profissional. Des-departamentalizar externamente é fácil, complicado é des-departamentalizar a mente. Mas é a saída para as agências maiores aprenderem a se mover num mar de fornecedores inovadores de outra área e a fertilidade na área de hot shops.


Sloooooow down > como eu disse, a Barbara Kennington do WGSN trouxe três tendências bastante poéticas. Pra começar, diz ela que “todo mundo no meu time tem uma visão particular”. E tacou-lhe lá três macrotendências, uma relacionada à retomada do espaço urbano como um local de convívio comunitáro (em plena explosão de redes digitais), outra que diz respeito à transformação física e perceptiva das coisas (“os cientistas são os novos criativos”) e a terceira (e que eu mais gostei) chamada extraORDINARY, de valorização do simples… não do simples bucólico e ingênuo, mas da revalorização das pequenas coisas no contexto corrente. Entendeu? Enfim… o que são essas macrotendências? Não quer dizer que isso tudo “esteja na moda”, mas que são movimentos de consumo e criação que vem sendo lentamente identificados como uma propensão geral. E se você parar pra pensar meio minuto vai se dar conta que são comportamentos que andam nos rondando já por uma questão de equilíbrio da velocidade, complexidade e digitalização de tudo. “Coisas do dia-a-dia são mais eficientes em melhorar nossa vida” disse ela, em detrimento de grandes apetrechos ou viradas.

Pensar pequeno não é fácil> Vim pensando na época do acidente da TAM. Muita indignação, movimentos aqui e acolá dizendo “Basta”. E um comentário geral que eu não curto dizendo que “o brasileiro é muito apático”. Eu realmente não acho que o brasileiro seja apático, eu acho que as coisas acontecem de uma forma menos lógica no Brasil. Eu acho que o tempo dos grandes protestos acabou de fato e que as maiores e mais relevantes mudanças não serão feitas por passeatas ou movimentos espalhafatosos, mas por uma série de mudanças individuais e de pequenos grupos que são ligados em rede de forma não-linear e nem sempre coordenada. É muito mais fácil organizar uma vultosa passeata do que mudar um hábito nocivo próprio.

Criatividade não é um processo, é uma cultura > disse a Rosemary da Fallon. Ela veio no lugar do Pat Fallon, rockstar da publicidade mundial, cuja agência fez alguns dos comerciais mais interessantes dos últimos anos, como esse, esse e esse da Sony Bravia. Falou, falou, mas o resumo de tudo pra mim foram, de novo, as dicas práticas de como implantar uma cultura criativa em toda a agência. As mais legais são “demita os pentelhos” e “trate bem os connectors da sua empresa”, que vem a ser as pessoas que fazem a ligação social dentro da estrutura (e não as pessoas que tem blog de nome Conector). Ela também ressaltou a necessidade de trabalhar de forma aberta, colaborar com diferentes áreas e empresas. Ao que parece, vai caindo cada vez mais a relevância da autoria. O cara da Phillips também bateu muito nessa tecla.

Blue sky thinking > O cara da Phillips é o Marco Bevolo, Diretor de Design da Phillips. Diferente do que o cargo sugere, ele não desenha eletrodomésticos, mas investiga cultura e comportamento em nível mundial pra fornecer à companhia holandesa o input necessário pra criação de produtos a longo prazo. Em outras palavras, ele é pago pra comandar as maiores pirações possíveis que são separadas em três níveis: piração pela piração, piração que pode vir a vingar e piração que deve vingar em breve. Da primeira categoria à última um produto pode atravessar 15 anos. O resumo de tudo pode ser um LINDO curta-metragem do Wong Kar Wai que foi criado pra lançar uma televisão nova cuja moldura se adequa às cores predominantes da imagem. O curta está logo acima.

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Enfim. É tudo aquilo que a gente vem comentando aqui e em outros âmbitos interessantes e interessados. Quem quer quer, quem não quer, abraços…

A questão não é “quem apaga a luz”, mas “quem acende?”

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Ah: as ilustrações desse post são todas minhas. Resgatei do arquivo morto.

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2 pensamentos sobre “Pânico em SP – Conector no Maximídia parte dois

  1. Legal teus comentarios sobre o MAximídia.Sobe a primeira parte na qual tu falou sobre departamentos e modos de trabalho em agencia. eu tenho visto isso acontecer bastante.Eu penei em varis lugares ate achar um no qual eu pudesse ser tudo oque posso ser, tipo… na criação eu tinha que layoutar, mas meu conhecimento de web,audio,marketing, planejamente e foto nunca foi utilizado.Nas outras areas que atuei outros conhecimentos que eu tinha tb nunca foram utilizados e nem requeridos.Ate que enfim descolei um trabalho aonde eu posso empregar todo o meu conhecimento em vaaaaarias areas e não ter um “cargo” definido. Acho isso Demais.Acredito que em todas areas temos pessoas que não sabem fazer só aquilo e sim MUITAS OUTRAS, mas pela cultura em que vivemos isso acaba sendo subutilizado pelas empresas, a bagagem de conhecimento aleatoreo fica numa area cinza do comportamento da pessoa que quase sempre nunca é utilizada.Esta na hora de perceber que além do windows, as pessoas tb são multifunções e tarefas. podendo atuar em varias areas diferentes e de diferentes maneiras, sempre acrescentando e multiplicando.

  2. Legal teus comentarios sobre o MAximídia.Sobe a primeira parte na qual tu falou sobre departamentos e modos de trabalho em agencia. eu tenho visto isso acontecer bastante.Eu penei em varis lugares ate achar um no qual eu pudesse ser tudo oque posso ser, tipo… na criação eu tinha que layoutar, mas meu conhecimento de web,audio,marketing, planejamente e foto nunca foi utilizado.Nas outras areas que atuei outros conhecimentos que eu tinha tb nunca foram utilizados e nem requeridos.Ate que enfim descolei um trabalho aonde eu posso empregar todo o meu conhecimento em vaaaaarias areas e não ter um “cargo” definido. Acho isso Demais.Acredito que em todas areas temos pessoas que não sabem fazer só aquilo e sim MUITAS OUTRAS, mas pela cultura em que vivemos isso acaba sendo subutilizado pelas empresas, a bagagem de conhecimento aleatoreo fica numa area cinza do comportamento da pessoa que quase sempre nunca é utilizada.Esta na hora de perceber que além do windows, as pessoas tb são multifunções e tarefas. podendo atuar em varias areas diferentes e de diferentes maneiras, sempre acrescentando e multiplicando.

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