Conector no mangue – pt 2

Eu nunca me imaginei em plena Olinda no meio do Carnaval. Mas foi isso que aconteceu. E com uma criança de seis anos junto!

Não sou daqueles que DETESTA caranaval. Pelo contrário, sou muito facilmente seduzido por tambores. Mas é que eu realmente prefiro a beira de praias tranqüilas do que o fuzuê. Independente disso, o fato é que às dez da manhã estávamos lá, subindo e descendo ladeiras, acompanhando os primeiros blocos, curtindo os naipes de metais e o aquecimento dos foliões de idades, proveniências, raças e classes absolutamente variadas. Nunca me senti tão Francisco José na vida. Na maior tranquilidade, percorremos a Rua do Amparo (sede de vários blocos) e subimos até o Alto da Sé pra ver a cidade lá de cima. Depois, um pouco de praia (um trecho insuportavelmente lotado da deliciosa Boa Viagem) e na sequência nos tocamos para o Recife Antigo curtir os blocos infantis de frevo e os de maracatu (que vimos em duas versões, popular e classe média, ambas excelentes).

Para quem tem o carnaval da Bahia em mente, saiba (eu não sabia direito) que estamos falando aqui de outro departamento. O carnaval no Recife é muito baseado no frevo e no maracatu, o que é um alívio porque eu acho axé muito acelerado demais. Mesmo o frevo mais frenético é um pouco mais na boa do que o hardcore que virou o axé. Toda música de carnaval vai acelerando ao longo dos anos… olha o que aconteceu com as escolas de samba, foi tudo acelerado ao longo dos anos. Mais um pouco e vamos ter speed samba na avenida, como tem o speed metal…

Enfim, fiquei olhando os blocos de maracatu e pensando: putz, esses caras da Nação Zumbi tiveram muito a manha de meter um Beastie Boys e um Hendrix no meio disso daqui. Não é difícil de imaginar, mas botar pra funcionar são outros quinhentos.

Uma nota: que história é essa de urso? Nunca eu tinha ouvido falar da importância do urso na mitologia dos frevos. Quando que eu imaginaria que o URSO é algo importante no carnaval de Recife? Pois vimos dois ou três blocos com histórias de urso, algo francamente relacionado ao adultério de forma alegórica, burlesca, um mashup de Ary Toledo com Irmãos Grimm.

***

Embora me tenha sido dito que o carnaval descentralizado do governo era uma forma de tentar que o pessoal da periferia deixassem os turistas em paz, o jornal do dia seguinte afirmava que não rolou e não teve jeito de barrar a mistureba. O que não foi problema algum, pois mesmo com alguns pequenos arrastões isolados, outra manchete no mesmo jornal declarava o carnaval 2008 como o menos violento dos últimos anos. Eu, particularmente, me senti totalmente seguro por lá, o que pode ser, claro, o astral de estar de férias caminhando por locais turísticos a maior parte do tempo.

(Por outro lado, dois dias depois 3 travestis foram mortos em Boa Viagem, dois numa emboscada e um terceiro dentro de um salão de beleza. Não sei se as mortes estão relacionadas.)

Estive uma noite no RecBeat a convite do parceiro Fabrício Nobre. Me descolou pulseirinha e tudo mais. Encontrei leitores do Conector, o que é uma grande alegria. Os fãs dos Walverdes eu já conheço pela socialização indie nos shows e festivais. Mas o blog é diferente, é tudo por email dificilmente as pessoas têm rosto além de thumbnails em redes sociais. Fico feliz de ver que por trás do Google Stats (eu sou meio obcecado pela audiência do blog, confesso) tem pessoas interessadas e interessantes dos mais diversos lugares. Enfim, até entrevista pra uma rádio comunitária de Recife eu dei, no camarim do Lucy and The Popsonics, contando novidades dos Walverdes.

Vi o show do Orquestra Típica Fernandez Fierro ali no fosso dos fotógrafos, que já tinha me sido recomendada pelo Takeda (a banda, não o fosso). Um show que não sei explicar, não entendo tango, é tudo tão intenso, dramático e levemente caótico. Mesmo com o som baixo, foi um ótimo show, fiquei com vontade de ver mais e me dei conta como sempre escuto as mesmas coisas. O vocalista era uma figura, meio Plato Divorak, entrou de gravata, sunga verde limão, um só pé do tênis Adidas vintage, e saiu cantando a la Gardel… uma peça rara. Não sei se no CD tem a mesma graça. Quando fui comprar, tinha acabado.

Depois vi o Lucy and The Popsonics (que começa tour cósmica em breve) da platéia e um pedacinho do Pato Fu de volta ao fosso. Não gosto de Pato Fu, mas não tem como não ser simpático à alegria que a banda trouxe às pessoas. Fiquei feliz.

Praia dos Carneiros. E ponto final.

Depois da rapidíssima temporada em Recife, nosso power trio familiar se dirigiu à Porto de Galinhas: passeios de bugue, piscina de hotel família, reconhecimento de praias semi-desertas, desfrute de pontos absolutamente turísticos. Essa parte eu prefiro nem escrever… como escrever sobre a Praia dos Carneiros? As fotos falam mais do que qualquer linha escrita… e a essa altura do campeonato, já imerso no calor de Porto Alegre (infelizmente sem o horário de verão) e no trabalho… fico por aqui esperando a próxima vez que meu bom carma vai me mandar a Pernambuco.

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