Free por Chris Anderson por Conector


Mais uma bola dentro da Wired: depois de traduzir a lógica do comércio digital com a teoria de Long Tail e consolidar o jeito DDA como estamos consumido informação e entretenimento com o rótulo Snack Culture, agora é a vez da cultura da distribuição gratuita ser digerida e cuspida de volta sob a forma de um agradável viés pop.

Free é o artigo da última Wired que vai dar origem ao próximo livro de Chris Anderson, editor-em-chefe da revista e autor também da história toda do Long Tail. Ao lado do Malcom Gladwell, talvez o Anderson venha se firmando como um dos nomes mais interessantes do mundo do marketing e da comunicação ao fazer a ponte entre ciências exatas (e seu mundo de tabelas e dados) e a cultura pop (com seus rótulos amigáveis e de fácil compreensão). O desafio de unir conceitos econômicos com códigos de conduta contemporâneos utilizando exemplos e uma linguagem acessível pode ser meio comparado à boa música pop: em três minutos é possível divertir e prender a atenção com ganchos ao mesmo tempo em que se traz consistência, compreensão e um pouco de alimento para o coração. Se uma música faz isso abrindo vias sentimentais por meio de ritmo e melodia, esses artigos e livros abrem certas caixas de pandora atuais, tentando explicar como está funcionando um mundo que, me perdoem o clichê, muda com tamanha velocidade e profundidade. E isso é sempre útil.

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É importante frisar que Free (como Long Tail ou Snack Culture) não traz nada de novo. Mas oferece um olhar panorâmico a mais um fenômeno da economia que se multiplicou e se evidenciou com o advento da digitalização de quase tudo. O ponto central de Free é o processo de “gratização” do comércio. Anderson busca lá atrás, no exemplo do empresário americano King Gilette que iniciou seu pequeno império oferecendo uma parte de um produto de graça (lâminas) para depois vender outra (barbeadores). Segundo Anderson (e qualquer um de bom senso…) hoje, esse subterfúgio está se tornando regra: você ganha o celular se comprar o plano, você compra um videogame barato mas os jogos são caros, você ganha uma máquina de café expresso na sua empresa mas tem que pagar pelo sachet do pó. Anderson segue o artigo fazendo uma rápida análise do impacto desse esquema nos hábitos do consumidor e coloca as grandes empresas da web como expoentes da “freeconomy”.

O exemplo do Google é inevitável: uma empresa que oferece todos os seus serviços de graça para os usuários. Todos. Serviços valiosos, como busca de dados, email, postagem de dados, programas baseados na web, analisadores de dados, blablablá. E quem paga a conta disso tudo? Os próprios usuários. Não com dinheiro, mas com o bem mais valioso e disputado do mundo atual: atenção.

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O parágrafo que, pra mim, resume a essência do artigo ressalta que “A palavra chave é externalidade, um conceito que diz que o dinheiro não é o único bem escasso no mundo. Primeiro, temos tempo e respeito em falta, dois fatores que sempre foram reconhecidos como valiosos, mas que só há pouco tempo pudemos medir. A economia da atenção e a economia da reputação são muito nebulosas para ganhar um departamento acadêmico, mas há algo de sólido em sua essência. Graças ao Google, hoje temos um jeito simples de converter reputação (PageRank) em atenção (tráfego) e esta em dinheiro (AdWords). Qualquer coisa que você possa transformar em dinheiro é uma moeda em si e o Google se tornou o banco central da nova economia.”

Oferecer serviços e produtos de graça, portanto, nunca é de graça. Mas isso não quer dizer que você esteja pagando com dinheiro a barbada. A sua atenção, sua fidelidade e sua capacidade de falar bem de uma marca ou produto são muito mais valiosos que seus merrequentos reais na fatura do fim do mês. Porque com a sua atenção, se eu fizer tudo direitinho, eu posso manter sua fidelidade. Com a sua fidelidade, você vai não apenas gastar mais comigo como também vai sugerir que outras pessoas invistam sua atenção em mim – pois está valendo a pena. O ciclo viral se inicia.

Se as empresas sabem como fazer isso decentemente, são outros quinhentos.

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Só um exemplo pra mostrar como funciona a economia da atenção. Vamos pegar a revista da Gol Linhas Aéreas. Uma revista com um conteúdo bem razoável que você leva de graça pra casa, se quiser. Ou lê tudo no avião, sei lá. O fato é que a revista é uma espécie de comercial da empresa. Um comercial com conteúdo, com entretenimento, com informação. Mas um comercial. Se você demora 40 minutos com a revista, eles estão oferecendo algumas matérias e fotos em troca de 40 minutos da sua vida, pra você passar com a marca deles, com um conteúdo curado a partir do conteúdo de marca da Gol.

Entendeu?

Continua na segunda-feira.

Bom finde.

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