Obama Buana

O continente africano e tudo o que acontece nele continua tendo pouco destaque na mídia brasileira. E em muitos países, a coisa por lá anda bem séria. Agora mesmo temos uma guerra ocorrendo na República Democrática do Congo (ex-Zaire), que é tudo, menos democrática. A força rebelde, denominada Congresso Nacional pela Defesa do Povo e liberada pelo “presidente”Laurent Nkunda domina um pedaço no país e combate o exército congolês do presidente eleito Joseph Kabila, primeiro presidente eleito do país e filho de Laurent Kabila, líder do exército que depôs o ditador Mobutu e comandou o país como ditador por alguns anos, até ser morto pelo seu guarda-costas.
Um dos muitos combustíveis dessa guerra é a briga entre membros das etnias tutsi e hutus. Nkunda, da etnia tutsi, acusa Kabila de apoiar a milícia da etnia hutu, que fez o massacre em Ruanda em 1994 e ameaça os tusis. Só para lembrar, rebeldes da etnia hutu em Ruanda, país vizinho do Congo, assumiram o pode por um breve período e chacinaram mais de 800 mil tutsis, em uma das maiores tragédias da humanidade. Uma matéria da National Geographic fala em mais de 5 milhões de mortos nos conflitos na região.

A briga entre hutus e tutsis começou quando no final do século XIX, o Rei Leopoldo, da Bélgica tomou o Congo como colônia. Ele elegeu os tutsis, mais altos e elegantes, para serem seus braços direitos e relegou os hutus aos trabalhos braçais. Leopoldo instaurou um verdadeiro regime de terror no Congo, com uma seria de atrocidades e mortes. Dizem que o governo de Leopoldo inspirou o clássico livro de Joseph Conrad, “O coração das trevas”, que por sinal, inspirou o épico de Coppola Apocalypse Now. Quem leu o livro ou viu o filme deve se lembrar o que motivou a frase: “o horror, o horror, o horror…”

Infelizmente, muitos países africanos continuam sofrendo um ciclo de golpes de Estado e regimes de ditadores que enriquecem enquanto a população fica a sua própria sorte. Filmes como Hotel Ruanda, O último Rei da Escócia e Diamantes de Sangue mostram um pouco dessa situação. Apesar de todas mortes que acontecem na região, os EUA, “os grandes defensores da liberdade”, nunca pensaram em intervir diretamente nos conflitos. Na África, quem tenta manter a paz são as forças da ONU.

Mas um fato novo pode mudar a situação. Será que Barack Obama, o primeiro presidente negro a ocupar a Casa Branca, mudará a maneira com que os EUA vêem e agem em relação à África? Fica a expectativa.

Texto escrito por Alessandro Lages Carlucci (www.logismo.blogspot.com) a convite do Mini, que, alvíssaras, retorna nesta segunda.

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