Ronald Rios e Skol: a lógica do fiasco

Então tem todo esse papo agora no Twitter (o que não chega a ser “todo” e nem “papo”, mas enfim) a respeito do Ronald Rio. O resumo do caso está aqui. O Matias e o Bruno também comentaram. Mas basicamente é o seguinte.

A Skol conclamou publicamente gente como o Ronald Rios a fazer vídeos para sua campanha na internet. São tipos como ele que fazem a maior parte do conteúdo em vídeo desse calibre. Ronald fez, porém em cima de um texto cujo teor era bastante desabonador para com o produto.  O problema: usando a logomarca e a programação visual da campanha. A marca, óbvio, desaprovou os vídeos e enviou um email sugerindo ao humorista-blogueiro que os retirasse do ar. O garoto, mostrando que não é tão sem noção como se apresenta em alguns vídeos, escolheu retirar pra não se meter em uma possível encrenca judicial com uma das maiores empresas do Brasil (que depois negou a intenção de ir às vias de fato).

Blogueiros e tuiteiros tomaram as dores de Rios (isso dá letra de fado). Comentários pipocaram na rede. Uns incautos, não sei com que nível de seriedade, até criaram um blog e um movimento Free Ronald Rios.

Conclusão da história: ninguém entendeu nada.

A Skol não entendeu que isso faz parte de campanha com conteúdo gerado pelo consumidor. Se tivessem ficado na sua, talvez a história toda desse menos bafafá (não que tenha sido grande…).

O Ronald Rios não entendeu que não é bem assim fazer piada com marcas (existem alguns aspectos jurídicos envolvidos). Mas, se fez, tem que ir até o fim. Ao menos, ele podia ter sido engraçado.

O pessoal do Free Ronald Rios não entendeu nada de nada. Porque isso daí tudo tá mais pra uma trapalhada geral devido ao momento de confusão de paradigmas na publicidade (confusão de paradigmas, hoje me superei!) do que prum ato de censura, contra a liberdade de expressão. Deviam era publicar o video original e tentar juntar grana pra segurar a onda em algum possível processo judicial.

Eu provavelmente não entendi nada também porque estou perdendo o meu e o seu tempo com isso aqui.

Conclusão 2 da história.

Já falei aqui: somos hoje os toscos do futuro. Podemos rir da tosquice dos caras do Mad Men, mas imagina um seriado em 2040 sobre os publicitários de agora… já viu né. Esse momento, tão especial na publicidade, é extremamente fértil em confusões desse tipo. É bom nos acostumarmos (não só os publicitários, mas todo mundo) e aprendermos a sambar. Posar de “sei tudo” não vai rolar. Uma hora, toda marca vai tomar algum tipo de rasteira. Aconteceu com a Sony no caso do Playstation e com a Skol agora. Vai acontecer mais e mais. Como no judô. O cara começa aprendendo a cair. Nesse lance de comunicação digital é preciso simplesmente entrar em qualquer parada estando preparado para o fiasco.

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