Nós, os toscos do futuro

Estava eu, sozinho em casa, deitadão na cama, TV desligada, vendo um episódio do Curb Your Enthusiasm no laptop, quando, sem mais nem menos, vem aquele avisinho que a bateria está prestes a cair. Era uma quinta à noite, meio tarde,  eu também já na última barrinha da bateria e tive que fazer AQUELA mão: sair debaixo das cobertas no frio, ir até a sala, abrir o armário, pegar o cabo de força, grudar no computador, acender a luz de cima, desligar o abajur, afastar o criado-mudo, plugar o cabo de força na luz, voltar pra baixo das cobertas, soltar o pause e terminar de assistir ao seriado.

Acompanhe o gráfico: todo aquele processo de levanta e vai até a sala pra carregar o laptop é o tipo de questão que já foi resolvida há décadas no aparelho de televisão. Pra assistir a qualquer coisa na TV, você se joga no sofá, agarra o controle remoto e com dois ou três toque nos botões está assistindo ao que está passando no canal. É coisa de segundos. Tente o mesmo processo no laptop e você vai ver que tem muito mais passos pra cumprir, mais janelas pra abrir, mais arquivos ou folders pra navegar. É o preço que se paga por viver em uma época de tão brutal transição.

Não tenho dúvidas que isso soa como reclamação de preguiçoso e conservador, mas acho que vale o gancho pra lembrar o quanto estamos em uma era primitiva e tosca. Nós nos achamos OS CARAS porque lemos emails no celular e falamos com amigos pelo Skype com imagem, mas a verdade é que somos uns brucutus da pós-modernidade, gente maravilhada e ansiosa, cercada por aparelhos carentes, que precisam da nossa constante atenção pra funcionar direito, que não são maduros ainda pra se conversar (sem que você seja um especialista em conectividade) e que nem mesmo compartilham linguagens de interface (de modo que você tem que aprender diferentes sets de interface a cada novo aparelho). Os gadgets atuais são, em linhas gerais, adolescentes egoístas, cheios de energia e boas idéias, mas com os hormônios a mil, dotados de pouca desenvoltura social e pouca praticidade.

Tá e daí? E daí não sei.

Só acheio graça no pensamento de que, pode ter certeza, um dia nós vamos olhar para isso…

… da mesma forma como hoje olhamos pra isso:

Né?

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14 pensamentos sobre “Nós, os toscos do futuro

  1. Cara, não dá pra comparar a usabilidade de uma TV com a de um computador, porque não foram feitos para a mesma finalidade. Comparar com um iPod faria mais sentido,,e vais ver que a user experience começa a se aproximar.

    É como comparar um canivete suiço com uma faca. Ambos chegam ao mesmo resultado, mas a user experience da faca dá de relho.

    Esse tipo de comparação me faz lembrar da Teoria dos Opostos. Nunca realmente pensamos que algo é o oposto do outro devido a sua funcionalidade. Por exemplo, se eu te perguntar qual o contrário de faca, tu vai dizer que é um garfo, e isso não é verdade. Uma faca serve, no seu principal papel, para partir objetos em linha reta. Então, dentro da Teoria dos Opostos, o contrário de faca seria uma régua melada de super bonder. Entende?

  2. Cara, não dá pra comparar a usabilidade de uma TV com a de um computador, porque não foram feitos para a mesma finalidade. Comparar com um iPod faria mais sentido,,e vais ver que a user experience começa a se aproximar.

    É como comparar um canivete suiço com uma faca. Ambos chegam ao mesmo resultado, mas a user experience da faca dá de relho.

    Esse tipo de comparação me faz lembrar da Teoria dos Opostos. Nunca realmente pensamos que algo é o oposto do outro devido a sua funcionalidade. Por exemplo, se eu te perguntar qual o contrário de faca, tu vai dizer que é um garfo, e isso não é verdade. Uma faca serve, no seu principal papel, para partir objetos em linha reta. Então, dentro da Teoria dos Opostos, o contrário de faca seria uma régua melada de super bonder. Entende?

  3. Acho que a complexidade extra é o preço que se paga pela escolha, quando se é apenas um viewer é normal o desejo pela transparência máxima. Acho que hoje temos a possibilidade de lidar com algo que é mais que uma máquina de respostas e com isso transparência e multiplicação de meios estão sempre negociando.

    Uma comparação engraçada com relação a nossa visão desses produtos no futuro é dos comercias antigos do Blackberry que mostravam maravilhas tecnológicas como teclado whatever e bluetooth, enquanto o iPhone dizia apenas “ele faz isso, isso e isso também”.

  4. Acho que a complexidade extra é o preço que se paga pela escolha, quando se é apenas um viewer é normal o desejo pela transparência máxima. Acho que hoje temos a possibilidade de lidar com algo que é mais que uma máquina de respostas e com isso transparência e multiplicação de meios estão sempre negociando.

    Uma comparação engraçada com relação a nossa visão desses produtos no futuro é dos comercias antigos do Blackberry que mostravam maravilhas tecnológicas como teclado whatever e bluetooth, enquanto o iPhone dizia apenas “ele faz isso, isso e isso também”.

  5. Will, eu quase ia concordar contigo e adorei o exemplo da faca.

    Mas meu texto foi escrito em cima de uma experiência direta. Eu estava comparando porque os papéis da TV e do laptop realmente estão começando a se sobrepôr em algumas funções e em alguns momentos da vida. Portanto, nada mais justo que eu compare. Se a TV e o laptop não querem ser comparados, eles que parem de convergir. Ou que convirjam (existe isso?) direito.

    Mas isso não é problema teu, é deles.

    No fim, meu ponto é o seguinte: ainda é difícil fazer com que convirjam (ugh!) direito. Precisa muito cabo, muito entendimento, muita função. Estamos ainda numa era tosca de convergência, que ainda exige uma pequena ginástica. Pra algumas pessoas é simples, pra maioria ainda é um saco.

    O canivete não deve ser usado como faca, mas quantos artigos não vemos dizendo que o canivete vai matar a faca ou que é a nova faca? É uma idéia que está presente no ar.

  6. Will, eu quase ia concordar contigo e adorei o exemplo da faca.

    Mas meu texto foi escrito em cima de uma experiência direta. Eu estava comparando porque os papéis da TV e do laptop realmente estão começando a se sobrepôr em algumas funções e em alguns momentos da vida. Portanto, nada mais justo que eu compare. Se a TV e o laptop não querem ser comparados, eles que parem de convergir. Ou que convirjam (existe isso?) direito.

    Mas isso não é problema teu, é deles.

    No fim, meu ponto é o seguinte: ainda é difícil fazer com que convirjam (ugh!) direito. Precisa muito cabo, muito entendimento, muita função. Estamos ainda numa era tosca de convergência, que ainda exige uma pequena ginástica. Pra algumas pessoas é simples, pra maioria ainda é um saco.

    O canivete não deve ser usado como faca, mas quantos artigos não vemos dizendo que o canivete vai matar a faca ou que é a nova faca? É uma idéia que está presente no ar.

  7. Guilherme, concordo com o exemplo. Realmente, o iPhone é um salto em usabilidade, mas não é isento de problemas. Por exemplo, eu acho ele grande demais. Mas ele entrega tanto mais usabilidade que outros smartphones que rola uma lei da compensação: você aceita os problemas dele porque as virtudes compensam.

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