Digitalgenários

tem um artigo do jornalista, escritor e apresentador inglês Matthew Sweet na última Monocle que joga uma nova luz sobre os repetidos estudos (e manchetes sensacionalistas) que demonstram o futuro envelhecimento da população terráquea, em especial na Europa. Você já deve ter lido ou visto por aí, mas o fato é que existem previsões contando que, em duas décadas, 50% da população dos países desenvolvidos será composta por pessoas acima dos 50 anos.

As primeiras reações a esses números, diz Sweet, são de desconfiança. Eles trazem à tona o medo da perda da força de trabalho, dos custos de previdência e saúde e da falta de opções de lazer e acomodação para os idosos (como se estivéssemos falando de volumes a serem guardados). Adicione à equação a intensidade com que a idéia de juventude vem sendo martelada sobre nós e podemos ver aí um outro problema sutil: a falta de familiaridade de nossas gerações atuais com o conceito de envelhecer. Uma hora, a conta psicológica de tanto desviarmos nosso olhar disso será cobrada – mas esse não é o ponto do meu post.

O bacana do texto da Monocle é que ele desvia completamente o papo da metade vazia do copo. Não há dúvida de que o envelhecimento traz certos prejuízos pessoais e sociais mas, ao mesmo tempo, diz o autor, uma população mais variada em termos de idade significa riqueza de conteúdo e de visões de mundo. Como exemplo, conta que no ano passado conheceu um engenheiro de som aposentado em idade bastante avançada que nos anos 80 (da década de 1880) havia ido pra cama em Moscou com um militar idoso que lembrava do dia em que Napoleão havia marchado sobre a cidade. Tá bom?

Expandindo um pouco o raciocínio de Sweet, logo lembrei que, em algumas décadas, não vai ser preciso ir pra cama com um militar das antigas pra ter uma conversa tão interessante. Se hoje os idosos não estão presente em massa na internet, vamos combinar que os milhões de usuários atuais, com seus blogs e perfis em redes sociais, um dia chegarão (se tudo der certo) aos 60, 70, 80 e 90 anos. Alguns estudos demográficos prevêem que metade das meninas nascidas agora no Leste Europeu estarão vivas no século 22 e com certeza entre elas estarão blogueiras, flogueiras e algumas Suicide Girls.

Visto que a internet, como já discutimos aqui, “veio para ficar”, tenho a absoluta certeza de que não podemos prever o quão rica e interessante vai ser a rede daqui a 40 ou 50 anos. E não estou falando de avanços em termos de equipamentos e linguagens e sim do grosso corpo de experiências humanas que vão estar circulando independente de sexo, classe, raça, localização geográfica e, obviamente, idade.

Outro efeito colateral dessa movimentação pode ser a iminente implosão do conceito de 18-24, hoje largamente utilizado em marketing. Não sei bem de onde saiu essa teoria, mas ela existe e diz que as pessoas mais novas do que 18 anos e os mais velhos do que 24 costumam se referenciar pela turma entre os 18 e 24. A tese é interessante e mercadologicamente funciona, mas a meu ver à base de três elementos que não são impermeváveis a mudanças: 1) uma forte estrutura consumista; 2) uma sociedade/comunidade em crise; 3) a falta de ferramentas psicológicas e/ou espirituais para lidar com o envelhecimento.

Bem, quem viver, verá. Estou apenas dando o meu melhor chute. Na dúvida, vamos de fibras, exercício 3 vezes por semana, frutinha, saladinha e meditação pra ver se conseguimos comprovar essas projeções ao vivo. Digo, vivos.

***

Roubei as ilustras daqui.

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