Quer se dar bem em publicidade? Então NÃO tenha idéias.

É isso mesmo. Ao longo das últimas décadas, venderam o negócio da publicidade pra estudantes e novos profissionais como um lugar onde é obrigatório e fundamental ter idéias, boas idéias, muitas idéias. Bem, amigos, acho que é hora de mudar essa diretriz.

Após tanto tempo batendo nessa tecla, o resultado é que agora, efetivamente, os corredores, mesas e salas de reuniões de agências e produtoras das diversas especialidades do marketing estão ABARROTADAS de gente com idéias. Muitas idéias. Inclusive muitas boas idéias.

(Ok, o pessoal sempre também traz a prima das idéias, a “opinião”, mas isso é assunto pra outro post).

Você aí, que trabalha nesse meio: já participou de alguma reunião em que faltassem idéias? Duvido muito. Em toda reunião com mais de dois seres humanos, sempre saltam idéias, especialmente de pessoas pouco envolvidas com a questão. As reuniões são o nascedouro de muitas idéias. Uma pessoa tem uma idéia. As outras ficam em polvorosa e também querem ter as suas. Uma a uma, as idéias vão sendo geradas e preenchem a sala até o teto. Se não há um braço forte, nenhuma delas vê a luz do dia. Porque não existe registro na história da humanidade de qualquer idéia, por mais genial que seja, que tenha sido colocada em prática durante uma reunião. É depois, em outras condições de temperatura e pressão, que as idéias de fato acontecem.

Não bastasse isso, a internet ainda mostrou pro mundo como é comum ter idéias. E boas idéias. É um catatau de gente que hoje escreve, fotografa, desenha, programa e filma suas idéias. E depois posta em algum lugar. E conta para os amigos, e os amigos dos amigos, e os amigos dos amigos dos amigos, que teve essas idéias. Algumas modestas. Outras bacaninhas. Mas umas quantas muito, muito legais. Em uma média que rivaliza com a maior parte das agências de publicidade, que investem milhões de dólares em profissionais e estruturas criados pra ter… idéias.

Ter idéias, queiramos ou não, já não é mais diferencial pra ninguém. É preciso ser muito cínico ou preso ao passado pra não aceitar essa nova realidade. E, como reza uma antiga regra econômica, a abundância de um elemento gera automaticamente a carência do seu oposto correspondente. No caso das idéias, qual seria o oposto correspondente? Não, não é o pensamento burocrático e clichê, mas a capacidade de botar idéias em prática. A abundância de gente tendo idéias está gerando uma grave carência de gente disposta a ouvir e ajudar a levar adiante a idéia de outras pessoas. Se não na área de software livre e nos coletivos artísticos, ao menos em publicidade, isso parece estar acontecendo.

Tudo bem. Eu sou o primeiro a defender o atual modelo de criador-produtor, do cara que tem idéia e coloca a mão na massa pra vê-la nascer. Mas também faço questão de levantar a voz contra o desequilíbrio ecológico que está acontecendo no famoso “campo das idéias”. Nada me tira da cabeça que, hoje, se dar bem no mundo da comunicação não quer mais dizer ser uma pessoa cheia de boas idéias, mas está mais relacionado a ser capaz de ajudar a botar de pé as idéias dos outros. Ou, para irmos mais longe na hierarquia, construir e gerir estruturas nas quais boas idéias sejam levadas adiante.

Eu não sou nenhum guru do markerting, nem ganho rios de dinheiro ou montei alguma hotshop super cotada de forma que possa comprovar na prática minha tese. Mas mesmo assim, tenho minhas experiências práticas e tambémacho que não custa nada perguntar: você acha mesmo que o Steve Jobs criou e desenhou o iPad?

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43 pensamentos sobre “Quer se dar bem em publicidade? Então NÃO tenha idéias.

  1. Mestre. Pena que eu não sou o Alessandro Carlucci presidente da Natura. Se não, te contratava para ganhar alguns milhões e ajudar a minha empresa a saber gerenciar e vender as boas ideias.

  2. Mestre. Pena que eu não sou o Alessandro Carlucci presidente da Natura. Se não, te contratava para ganhar alguns milhões e ajudar a minha empresa a saber gerenciar e vender as boas ideias.

  3. Gostei muito do artigo. Tanto que vou imprimi-lo e colocá-lo pra ser lido no mural aqui da agência. Só senti falta de encontrar mais infos sobre você para “assinar” a matéria.

    Então, com a ajuda do São Google, montei um minicurrículo seu. Veja se está ok: Gustavo “Mini” Bittencourt é coordenador de projetos da agência de publicidade Escala de Porto Alegre, guitarrista da banda Walverdes (que ficou conhecida pela viralização da internet), editor dos blogs OESQUEMA e Conector e comentarista da Oi FM.

  4. Gostei muito do artigo. Tanto que vou imprimi-lo e colocá-lo pra ser lido no mural aqui da agência. Só senti falta de encontrar mais infos sobre você para “assinar” a matéria.

    Então, com a ajuda do São Google, montei um minicurrículo seu. Veja se está ok: Gustavo “Mini” Bittencourt é coordenador de projetos da agência de publicidade Escala de Porto Alegre, guitarrista da banda Walverdes (que ficou conhecida pela viralização da internet), editor dos blogs OESQUEMA e Conector e comentarista da Oi FM.

  5. bom, tirou as palavras (pra não dizer ideias) do fundo da minha mente. Administrar reuniões de criação pode ser um exercício complicado. Todos tem a mega ideia, ninguém sabe ou quer executá-las (ainda mais se não for a sua proposta a escolhida).
    Pior é que até os que deveriam ser encarregados apenas da produção estão cheios de ideias…

  6. bom, tirou as palavras (pra não dizer ideias) do fundo da minha mente. Administrar reuniões de criação pode ser um exercício complicado. Todos tem a mega ideia, ninguém sabe ou quer executá-las (ainda mais se não for a sua proposta a escolhida).
    Pior é que até os que deveriam ser encarregados apenas da produção estão cheios de ideias…

  7. O sucesso do SPFC.Net (segundo maior de portal de clubes -oficial ou não- do Brasil) não está nas ideias do criador (muito simples e clichês, por sinal) mas na capacidade do mesmo (e da reduzidíssima equipe) em colocá-las em prática. E, principalmente, em agregar e colocar em prática as ideias alheias.

    Você tocou o ponto certo do assunto, parabéns!

  8. O sucesso do SPFC.Net (segundo maior de portal de clubes -oficial ou não- do Brasil) não está nas ideias do criador (muito simples e clichês, por sinal) mas na capacidade do mesmo (e da reduzidíssima equipe) em colocá-las em prática. E, principalmente, em agregar e colocar em prática as ideias alheias.

    Você tocou o ponto certo do assunto, parabéns!

  9. Gustavo,
    Faz super sentido o teu post. Não somente no meio publicitário, design ou web, tem sempre milhares de idéias pipocando nas reuniões e briefings. Mas poucas pessoas dispostas realmente a ouvir e investir tempo desenvolvendo boas idéias, ou como eu costumo dizer soluções para tais idéias. Mas o mais comum que eu vejo são idéias interessantes vinda do próprio cliente, que consultou sua mãe, sua avó e aí vai a infinita maravilha de idéias que designers muitas vezes tem que trabalhar. Mas ao invés de simplesmente desistir ou não escutar tais sugestões simplemente por pensarmos que nós designers somos mais capazes de gerar melhores idéias, é preciso também saber transformar, saber olhar o que realmente o cliente está tentando comunicar através daquela idéia. Enfim. Com certeza um ótimo tópico para ser discutido.

  10. Gustavo,
    Faz super sentido o teu post. Não somente no meio publicitário, design ou web, tem sempre milhares de idéias pipocando nas reuniões e briefings. Mas poucas pessoas dispostas realmente a ouvir e investir tempo desenvolvendo boas idéias, ou como eu costumo dizer soluções para tais idéias. Mas o mais comum que eu vejo são idéias interessantes vinda do próprio cliente, que consultou sua mãe, sua avó e aí vai a infinita maravilha de idéias que designers muitas vezes tem que trabalhar. Mas ao invés de simplesmente desistir ou não escutar tais sugestões simplemente por pensarmos que nós designers somos mais capazes de gerar melhores idéias, é preciso também saber transformar, saber olhar o que realmente o cliente está tentando comunicar através daquela idéia. Enfim. Com certeza um ótimo tópico para ser discutido.

  11. Gostei da reflexão e do desafio que você lança. Cada vez mais as idéias seguem o caminho up-down (propiciado pelo aumento do nível de consciência) mas, sem dúvida, toda e qualquer construção precisa ser no sentido bottom-up (senão, não sai do plano ideal).

  12. Gostei da reflexão e do desafio que você lança. Cada vez mais as idéias seguem o caminho up-down (propiciado pelo aumento do nível de consciência) mas, sem dúvida, toda e qualquer construção precisa ser no sentido bottom-up (senão, não sai do plano ideal).

  13. ….humm….hã…nossa tu escreve muito bem. Eu já te falei isso milhares de vezes e não precisava postar isso aqui mas o impulso foi mais forte. Preciso registrar. O que é o final do Steve Jobs! O resto nem precisa ser dito. bj

  14. ….humm….hã…nossa tu escreve muito bem. Eu já te falei isso milhares de vezes e não precisava postar isso aqui mas o impulso foi mais forte. Preciso registrar. O que é o final do Steve Jobs! O resto nem precisa ser dito. bj

  15. é, antes o cara dizia uma idéia e, ohhh! todo mundo babava. agora, brother, tem q suar, tem q tirar coelho da cartola, pq tem ideia boa pra todo lado. nada anormal, o q acontece continua sendo resultado de informação ou falta de. como a rede replica os fatos na impressionante velocidade, quem ficar parado só tendo idéia, tá morto. corretissimo. tem q criar e executar com competencia mesmo, e isso inclui inclusive velocidade.

  16. Não é por nada que as produtoras web, que anos atrás botavam em pé as idéias dos outros, começaram a botar em pé as suas próprias e viraram algumas das maiores agências do mundo, como R/GA. Além de exemplos brasileiros, como Gringo e Cubo. 😉

  17. Não é por nada que as produtoras web, que anos atrás botavam em pé as idéias dos outros, começaram a botar em pé as suas próprias e viraram algumas das maiores agências do mundo, como R/GA. Além de exemplos brasileiros, como Gringo e Cubo. 😉

  18. O cara tá de sacanagem assinar um troço desse com Gustavo”Mini”; é MAXI e chega de disfarces!!!!
    Épreciso uma instrução de muita humildade para segurar, erger e dar suporte a idéia do outro. Tem que poder admirar… e a inveja, como gosto de dizer é uma admiração que não deu certo, geralmente por falta de capacidade do sujeito em admirar a vida, a sí-próprio e ao alheio!!!
    Então é isso aí: abaixo a idéia do outro e meta idéia na sala, é tipo:toca pedra na Geni que ela é boa de cuspir… vamos soterrar uma idéia com a outra, e a próxima e a outra ainda. E sempre estará por vir a idéia PERFEITA!!!! A EMELHOR! A cabal e final. E todas as outras serão desprezadas.”Até o infinito e além”, já dizia Buzz Ligth Year!
    Como é bom ter quem admirar e agradecer.Gracias Mini, voce é Gustavo!!!!
    Sobre o tema da perfeição, recomendo ler:” A vida como ela é para cada um de nós e Curação; a arte de bem cuidar-se”.

  19. O cara tá de sacanagem assinar um troço desse com Gustavo”Mini”; é MAXI e chega de disfarces!!!!
    Épreciso uma instrução de muita humildade para segurar, erger e dar suporte a idéia do outro. Tem que poder admirar… e a inveja, como gosto de dizer é uma admiração que não deu certo, geralmente por falta de capacidade do sujeito em admirar a vida, a sí-próprio e ao alheio!!!
    Então é isso aí: abaixo a idéia do outro e meta idéia na sala, é tipo:toca pedra na Geni que ela é boa de cuspir… vamos soterrar uma idéia com a outra, e a próxima e a outra ainda. E sempre estará por vir a idéia PERFEITA!!!! A EMELHOR! A cabal e final. E todas as outras serão desprezadas.”Até o infinito e além”, já dizia Buzz Ligth Year!
    Como é bom ter quem admirar e agradecer.Gracias Mini, voce é Gustavo!!!!
    Sobre o tema da perfeição, recomendo ler:” A vida como ela é para cada um de nós e Curação; a arte de bem cuidar-se”.

  20. Eu sou a prova viva de que a sua tese é realmente um fato. Quando eu fazia a faculdade de comunicação, sempre foi imposto à mim e aos meus colegas que deveríamos ser O SER CRIATIVO, que quem não tinha criatividade aguçada estava no curso errado. Aí, quando iniciei efetivamente na profissão, o que mais fazia (e faço) era executar idéias de outras pessoas, incluindo algumas minhas. E quando eu me deparava com isso, achava um absurdo, pois o que me foi imposto pesava. Até chegava a não considerar os diversos anúncios meus. Dava totalmente os créditos à quem teve a maior parte das idéias. Foi com o passar do tempo, e observando meu colegas de profissão, que atualmente isso é muito comum, que você nao deixa de ser pior ou melhor publicitário por apenas executar as idéias. Isso sim é um diferencial, até porque, como você mesmo disse: criativo, hoje, todo mundo é!

  21. Mini

    Legal o post. Lembrei de um pensamento do Peter Drucker:

    O planejamento não é uma tentativa de predizer o que vai acontecer. O planejamento é um instrumento para raciocinar agora, sobre que trabalhos e ações serão necessários hoje, para merecermos um futuro. O produto final do planejamento não é a informação: é sempre o trabalho.

    E outra frase, que vi citada sobre o vestiário feminino, e que muitas vezes se aplica ao trabalho/criação/execução: Menos é mais.

    Abraço

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  26. Em resumo: TER IDÉIAS até que é fácil o difil é COLOCA-LAS EM PRÁTICA. De fato é como a regra econômica, a abundância (idéias) de um elemento gera automaticamente a carência do seu oposto correspondente. (quem coloca em prática)

  27. Em resumo: TER IDÉIAS até que é fácil o difil é COLOCA-LAS EM PRÁTICA. De fato é como a regra econômica, a abundância (idéias) de um elemento gera automaticamente a carência do seu oposto correspondente. (quem coloca em prática)

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