Aeroportos

Aeroportos são lugares de ninguém. Isso não é uma crítica às companhias aéreas ou às agências federais. É só uma constatação conceitual. Fora os funcionários, pra todo o resto da população flutuante dos aeroportos, a relação com tempo e espaço é muito diferente. Porque o aeroporto é um lugar entre lugares.

Todo mundo que passa uma, duas, três, cinco, seis horas esperando vôos está passando um tempo em lugar nenhum. É daí que vem aquela sensação esquisita quando você faz muitas conexões em um mesmo dia. O problema não é você. O problema é que estar no aeroporto é estar a caminho e estar parado ao mesmo tempo.

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A imagem que eu escolhi pra ilustrar o post quase rende outro post. Ela mostra  a parede luminescente do Terminal 5 do aeroporto de Heatrhow, Londres, criada pelo estúdio Troika. O horário de Londres aparece como eixo central do relógio e é ladeado pelos horários de regiões ou locais interessantes do mundo como o Museu Guggenhein, o Everest, o Canal do Panamá e a Torre Eiffel. Uma leve e divertida subversão dos tradicionais relógios de aeroporto que trazem o horário em diversas capitais financeiras ou políticas do mundo.

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O post e esse assunto todo são inspirados num dos programas Minimalismo que eu fiz pra Oi FM.

Pra ver outros textos relacionados ao programa, vá por aqui.

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6 pensamentos sobre “Aeroportos

  1. O antropólogo Marc Augé define esses espaços como não-lugares (um aeroporto, uma auto-estrada, um supermercado etc). Parece um conceito quase simples demais, mas faz todo o sentido. São espaços de passagem, incapazes de dar forma a qualquer tipo de identidade, habitados por pessoas em trânsito onde cada um é apenas mais um.
    Acho que os aeroportos são os (não) lugares em que esse desconforto é mais perceptível justamente porque estar aí é “estar a caminho e estar parado ao mesmo tempo” e a sensação de encolhimento do espaço/tempo é mais extrema.

  2. O antropólogo Marc Augé define esses espaços como não-lugares (um aeroporto, uma auto-estrada, um supermercado etc). Parece um conceito quase simples demais, mas faz todo o sentido. São espaços de passagem, incapazes de dar forma a qualquer tipo de identidade, habitados por pessoas em trânsito onde cada um é apenas mais um.
    Acho que os aeroportos são os (não) lugares em que esse desconforto é mais perceptível justamente porque estar aí é “estar a caminho e estar parado ao mesmo tempo” e a sensação de encolhimento do espaço/tempo é mais extrema.

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