The Zen Dude

Olha só que pérola: a revista Tricycle promoveu um bate papo de 40 minutos, dividido em duas partes, entre Jeff Bridges e Bernie Glassman. Bridges, você conhece. Provavelmente pelo sua icônica atuação em O Grande Lebowski, obra dos Irmãos Coen que passou de cult movie a culto de fato. Ou então de aparições recentes em filmes de diferentes intenções como Homem de Ferro, Homens que Encaravam Cabras e Coração Louco, que deu o Oscar ao já famoso “Dude”.

Bernie Glassman, por sua vez, é um personagem, digamos assim, mais de nicho. Aluno de um dos mais importantes mestres zen budistas do Ocidente, Maezumi Roshi, Glassman é considerado uma figura importante na construção do conceito de budismo socialmente engajado nos Estados Unidos. Sua organização, o ZenPeacemakers, desenvolveu modalidades de prática totalmente integradas à vida urbana contemporânea, o que incluiu a criação de negócios socialmente engajados e os inusitados retiros de rua (onde os praticantes passam alguns dias vivendo como e entre moradores de rua).

A conversa, em um tom de descontração que lembra muito o climão Lebowski, começa com a história de como os dois se conheceram, passa pelos projetos sociais de cada um e envereda por interessantes reflexões sobre a semelhança entre práticas meditativas e o processo de atuação. Bridges comenta, inclusive, seus sentimentos ambíguos em relação ao trabalho do ator em filmes que são construídos em sua maior parte na pós-produção, como é o caso de Tron Legacy. Se isso, por um lado, tira o romantismo de vestir a roupa do personagem, substituída por vestes especiais que marcam os pontos da computação gráfica posterior, por outro ele declara calmamente: “é como voltar à infância, quando você brinca e tem que inventar tudo na sua cabeça”. E ainda compara a situação com uma expressão clássica de outro grande mestre zen, Suzuki Roshi: “É a mente de principiante.”

***

Uma nota curiosa: interessado em trazer mais substância para a história de Tron Legacy, Bridges convidou Glassman pra participar de algumas reuniões de produção e discutir alguns temas existenciais do ponto de vista do zen budismo. Mas a influência é em duas mãos. Segundo uma outra matéria da Trycicle, do ano passado, Glassman tem na sala dele os três pilares espirituais do ZenPeacemakers com uma tradução em Lebowkês abaixo de cada um:

“Not Knowing, thereby giving up fixed ideas about myself and the universe.
(The Dude is not in)
Bearing Witness to the joy and suffering in the world
(The Dude abides. . .)
Loving Action
Healing myself and others
(Enjoyin’ my coffee)”

***

Outra coisa: vale um passeio no site do centro zen budista gaúcho Via Zen. Ali tem o relato de um monge zen gaúcho que está vivendo na Suíça e que participou de um retiro de rua. Também há uma sessão dedicada a uma série de textos e entrevistas em português sobre a conexão Porto Alegre/Brasil-Zenpeacemakers pilotada pelo psiquiatra José Ovídio Waldermar, coordenador do Instituto da Família.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s