Meus amigos do Club Penguin

No post anterior, se você não leu, eu estava comentando sobre um certo bug que deu no meu cérebro quando comecei a ter que classificar meus amigos no Facebook. Depois de escrito, segui pensando no assunto e me lembrei de um caso bem interessante que adiciona um pouco de complexidade ao cenário.

Você conhece o Club Penguin? É uma mistura de MMPORG e rede social da Disney onde você cria um avatar de pinguim e sai por ilhas geladas jogando e interagindo com outros pinguins. Tudo dentro do padrão de segurança Disney para os pais não se preocuparem com possíveis pedófilos ou outros malandros do tipo. Interagir com o Club Penguin depois dos, sei lá, 25 anos, é um case study em si. Uma vez lá dentro (e eu tenho meu próprio pinguim, Mr. Walverde, embora não o use com frequência), você passa a fazer parte de um universo de socialização, diversão e compras. Pra comprar, você precisa de moedas. Pra ganhar moedas, você precisa jogar. Pra jogar, você acaba se engajando com outros pinguins-avatares.

Bimestralmente sai um catálogo com novas roupinhas, acessórios ou móveis para iglu, que você compra com as moedas que ganha fazendo pizzas, deslizando montanha abaixo em corridas na neve ou vencendo o Desafio Ninja. Quanto mais você jogar, mais pode comprar. (Não vou entrar aqui na questão do consumismo. No início achei esquisito a história dos catálogos, depois achei um bom gancho pra educar uma criança a não ficar comprando coisa o tempo todo).

O interessante é como a Disney trata a mídia do Club Penguin. Outro dia, estava assistindo TV com a minha enteada de 9 anos e de repente passou (não lembro em que canal infantil) um comercial sobre uma festa que ia acontecer em uma ilha dentro do ambiente do jogo. E em outra ocasião, um sobre a chegada do novo catálogo do Club Penguin. A interação on/off é simples mas interessantíssima e faz todo o sentido do mundo. A maior parte das crianças pula de uma tela pra outra sem quebra-molas.

Mas o mais legal que eu ia contar aqui é do dia que ajudei minha enteada a fazer o pinguim dela. Logo que você cria o seu avatar, o sistema gera um nome automático alfanumérico, que no caso da Stella foi PSTH1. A primeira coisa que eu lembrei quando vi PSTH1 foi o THX1138 do George Lucas e achei bacana. Mas pensei: “ela não vai querer isso, ela vai querer um nome fofo”. Aí, falei: “bom, depois a gente troca esse nome pra Tobi, Fifi ou Picolino”. E ela retrucou na hora: “Não, não, eu quero assim. Todo mundo na aula tem nome assim”.

Fiquei lá, com cara de bobo depois de tropeçar no generation gap. Nomes alfanuméricos só são frios e lembram filmes esquisitos de ficção científica pra quem tem essas referências. Pra quem mora no Club Penguin, PSTH1 é tão querido e fofinho quando Picolino.

Como diz o Frank Jorge: TÓIM.

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6 pensamentos sobre “Meus amigos do Club Penguin

  1. Muito boa análise, Mini. Também achei estranho o nome dos usuários (o do meu filho é Alfa4565, algo assim). E o impressionante é que eles DECORAM os usernames dos outros, mesmo sendo algo extremamente complexo – pra mim, pelo menos.

    Esse Club Penguin é o Second Life que deu certo. Com mais idéia, propositalmente com menos recursos, com um planejamento comercial mais encorpado (quem sabe se os catálogos de compras não são pesquisas de produtos vendidas pela Disney aos anunciantes?) e com uma linguagem que trata os pequeninos usuários de igual pra igual, seja na TV ou no computador.

  2. Muito boa análise, Mini. Também achei estranho o nome dos usuários (o do meu filho é Alfa4565, algo assim). E o impressionante é que eles DECORAM os usernames dos outros, mesmo sendo algo extremamente complexo – pra mim, pelo menos.

    Esse Club Penguin é o Second Life que deu certo. Com mais idéia, propositalmente com menos recursos, com um planejamento comercial mais encorpado (quem sabe se os catálogos de compras não são pesquisas de produtos vendidas pela Disney aos anunciantes?) e com uma linguagem que trata os pequeninos usuários de igual pra igual, seja na TV ou no computador.

  3. Do meu ponto de vista, acho que a série é boa, mais as ações que tinha sido muito bom e por isso acho que Mad Men permanecer no gosto do público por um tempo. Pena que tem que chegar a um fim. Vou sentir falta dela.

  4. Do meu ponto de vista, acho que a série é boa, mais as ações que tinha sido muito bom e por isso acho que Mad Men permanecer no gosto do público por um tempo. Pena que tem que chegar a um fim. Vou sentir falta dela.

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