Geolocalização & competição


Felipe Barreto unlocked the MUNDO badge on Foursquare.

Um dos meus problemas com Foursquare (fora o fato dele não funcionar bem no CHATONILDO MotoQ11) é ser ainda muito baseado nessa lógica de jogo por pontos. Tudo bem que ele inclui aspectos sociais (saber onde estão seus contatos) e colaborativos (criar e compartilhar um banco de informações sobre locais específicos), mas é que a ênfase na competição por badges e coisas do tipo acaba deixando o programa muito mais dentro da cultura norte-americana do que da latina.

Tese de mesa de bar: esse tipo de competição não pega tanto no Brasil. A busca por notoriedade e status funciona de forma diferente do equador pra baixo. Veja bem se essas coisas como Digg pegaram por aqui. Não muito né? Então eu acho que é a mesma coisa com esses aplicativos móveis de geolocalização. Pra facilitar o raciocínio, eu diria que é a mesma diferença entre seriado e novela. Os seriados americanos são dinâmicos: é pá, pum, fez isso, aconteceu aquilo, não tem espaço pra sobras. Novela é diferente. Aqueeeela enrolação, cinco minutos pra alguém entrar num apartamento e cumprimentar todo mundo, uma novela inteira pra rolar um casamento, fechar uma história que os seriados fecham em um episódio.

Salviano Lisboa checa seu status numa versão antiga do Foursquare.

Com plataformas funciona da mesma forma. Não é coincidência que o Orkut deu mais certo no Brasil: ele é menos objetivo, mais novelesco e menos seriadesco. Ele permite muito mais o nhenhenhém que o Myspace ou o Facebook. E os aplicativos de geolocalização que seguirem essa lógica crescerão mais rápido. Se eles não permitirem uma enrolaçãozinha, uma horizontalidade, e se basearem na idéia de descobrir quem é o bonitinho da high school, ficarão restrito a um nicho.

Não tenho bem certeza, mas acho que é por aí. O que vocês acham?

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5 pensamentos sobre “Geolocalização & competição

  1. Mini, para mim a lógica no Brasil antes dessa análise profunda e interessante que tu fez, se baseia num preceito: se estiver em Português rola por aqui, as ferramentas que primeiro chegam traduzidas tem mais chances, assim como o Twitter, infelizmente o povo brasileiro mal fala português quem dirá inglês! 😉

  2. Claudinha,
    Esse povo brasileiro que mal fala português está com um poder de consumo bastante considerável, conectado à Internet em uma porcentagem alta de seu tempo e disposto a comprar tecnologia se ela lhe aprouver status. Portanto, hoje, Foursquare é ferramenta de trendsetter, mas dentro em pouco o Facbeook lançará a sua ferramenta do gênero e não haverá como voltar no tempo.
    Escrevi sobre assunto há pouco tempo em: http://contextoweb.wordpress.com/2010/07/18/foursquare-e-o-marketing-por-geolocalizacao/
    Abraços.

  3. Claudinha,
    Esse povo brasileiro que mal fala português está com um poder de consumo bastante considerável, conectado à Internet em uma porcentagem alta de seu tempo e disposto a comprar tecnologia se ela lhe aprouver status. Portanto, hoje, Foursquare é ferramenta de trendsetter, mas dentro em pouco o Facbeook lançará a sua ferramenta do gênero e não haverá como voltar no tempo.
    Escrevi sobre assunto há pouco tempo em: http://contextoweb.wordpress.com/2010/07/18/foursquare-e-o-marketing-por-geolocalizacao/
    Abraços.

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