Eles não se entendem

Eu não tenho números aqui, mas acho que todo mundo vai concordar que não existiu outra época na trajetória da humanidade com tantas tecnologias surgindo num espaço tão curto de tempo. Ao menos não tecnologias que se espalhassem com tamanha rapidez pra mão dos grande público e não ficassem restritas a círculos científicos ou determinadas regiões do globo.

Em outras palavras: tá tudo uma loucura né?

Esse fenômeno criou um momento histórico de grandes inovações mas também de um sentimento de ansiedade coletiva por conta do grande número de linguagens tecnológicas que não simplesmente não se conversam. Sim, é a era da conectividade, a era da integração, mas também é a era dos cabos inúteis, dos drivers bipolares, dos técnicos que não resolvem, dos especialistas que tomam bola nas costas de hardware, do discurso dos empreendedores de tecnologia que dificilmente bate com a experiência cotidiana do usuário médio.

A batata quente do diálogo entre os aparelhos que temos em casa está sendo passada de mão em mão e sempre acaba queimando os dedos de quem menos entende do assunto. E dê-lhe cabo pra ligar o laptop na TV, que fica obsoleto quando você muda de laptop; e dê-lhe gaveta de cabos pra conectar o celular com o laptop porque o Bluetooth não funciona direito; e dê-lhe chamada de técnico doméstico pra fazer um simples roteador aceitar a conexão dos computadores da casa; e dê-lhe suor pra transferir dados pra um celular novo; e por aí vai. Isso não é justo com usuários cuja relação com a maior parte dos eletrodomésticos nos últimos 40 anos se resumiu a botões de liga e desliga e um cabo de força.

Às vezes, parece que vai chegar um dia em que todas as tecnologias vão fazer sentido juntas. É o que nos vendem por aí, mas geralmente essa idéia depende de vocês ter TODOS os aparelhos da sua casa da mesma marca (quá quá quá) e mesmo assim não sabemos se o diálogo vai acontecer de fato. Talvez a marca dos nossos tempos seja mesmo viver em um ecossistema tecnológico fragmentado que exige conhecimento específico e intervenção constante.

E não me venham com papinho Apple nos comentários, que o mundo não vai ficar indo atrás do Steve Jobs pra tudo e meu Macbook já me aprontou algumas bem feias.

***

Foto: daqui.

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11 pensamentos sobre “Eles não se entendem

  1. Muito bom, Mini. Não deixa de ser um período Capitalista-Darwiniano. Muitas tentativas de muitas empresas para ver qual será a tecnologia dominante. Já vivos isso, em menor escala, na briga VHS Betamax. E, quando aos malditos cabos, isso só na base da lei. Na Europa, uma lei já unificou o pluge dos carregadores de celular. Todas as marcas terão que usar o mesmo plugue. Um viva para os europeus e que isso chegue logo aqui.

  2. Muito bom, Mini. Não deixa de ser um período Capitalista-Darwiniano. Muitas tentativas de muitas empresas para ver qual será a tecnologia dominante. Já vivos isso, em menor escala, na briga VHS Betamax. E, quando aos malditos cabos, isso só na base da lei. Na Europa, uma lei já unificou o pluge dos carregadores de celular. Todas as marcas terão que usar o mesmo plugue. Um viva para os europeus e que isso chegue logo aqui.

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