150 amigos e 1.000 desculpas

Esses dias, abri a Zero Hora em casa e dei de cara com um artigo sobre o limite de conexões sociais que uma pessoa pode manter – 150 ligações fracas, dizem alguns estudos, mesmo com a ajuda “gerencial” das redes sociais. Aí cheguei na agência, abri o Twitter e lá estava o Eduf linkando um post seu que aprofunda a questão. Parecia que o assunto estava estava me perseguindo…

Mas não é pra menos. É um tema que rende, que ainda vai render muito mais. Por exemplo. Fiquei com os dois textos na cabeça e me lembrei de um outro viés que talvez a gente possa adicionar à discussão. Um olhar que tem um pouco a ver com os “connectors” do Malcom Gladwell.

No livro O Ponto de Desequilíbrio, já bastante comentado quando o assunto é redes sociais e viralização, Gladwell classifica as pessoas que disseminam conteúdos e costumes em três grupos. Um deles é o dos “connectors”, pessoas que circulam transversalmente na sociedade, convivendo com diferentes grupos de diferentes hábitos e que, o que nos interessa aqui, não tem constrangimento em manter laços sociais mais fracos ou mais superficiais nessa navegação social. Ou seja, são pessoas que não tem o menor problema em ignorar os estudos antropológicos e ultrapassar o número de 150 conexões com amigos e/ou conhecidos, nem nas redes sociais nem no cara-a-cara.

À maior parte de nós, parece um comportamento incomum e insustentável socialmente. Mas existem pessoas que realmente parecem tera essa habilidade de fazer desses laços fracos algo signiticativo, talvez não de forma profunda, mas com certeza de forma… interessante. Pega, por exemplo, a Hebe, o Silvio Santos, o Faustão, o Emilio Surita, o Marcelo Tas, o Edgard, a Mari Moon, qualquer bom locutor de rádio ou animador de rodeio.  O que essas pessoas têm em comum? Eles têm a capacidade dos connectors somada à mídia de massa. Eles conversam com milhares ou milhões de pessoas e ainda assim mantém um tom de intimidade que é respondido pelo público – com atenção, com consideração, às vezes com uma perigosa devoção. Quem nunca ouviu a história de alguma avó ou tia que dava boa noite para o Cid Moreira quando ele se despedia no Jornal Nacional?

Mari antes do Moon

O que é novo nesse momento em que nós estamos vivendo é que esse tipo de comportamento (de connector ou de comunicador de massa) não está mais restrito a connectors e comunicadores de massa. Todo mundo está experimentando um pouco disso. E fazendo algumas bobagens, cometendo alguns excessos, corrigindo ou não, descobrindo que é mais social do que pensava ou não, confundindo tudo – ou não!

As redes sociais na internet estão redefinindo o papel de pessoas que funcionam como hubs sociais e nesse processo de redefinição um monte de confusão está acontecendo. No momento, muita gente que não tem talento, necessidade e habilidade para ser Cid Moreira ou Mari Moon está fazendo suas experiências de Cid Moreira e Mari Moon. O que elas estão descobrindo, às vezes a um custo muito grande, é que não é por causa da televisão que as pessoas davam boa noite ao Cid Moreira e nem por causa do Fotolog que as pessoas se conectavam à Mari Moon. Era por causa, veja só, do Cid Moreira e da Mari Moon.

Pessoas. Elas aprontam, elas fazem das suas, metem os pés pelas mãos, mas continuam sendo o componente social chave das interações. Mil desculpas pelo clichêzão de palestra, mas dessa vez simplesmente não deu pra evitar…

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