Sempre elas, as redes sociais

Essa semana o novo caderno Its Mais do Correio do Povo trouxe pedaços de uma entrevista comigo sobre o nosso querido e disputado assunto que está aí no título. Um dos tópicos bacanas da conversa foi o questionamento sobre os profissionais que trabalham com redes sociais – será o analista de redes o novo DJ? Pra ler a reportagem inteira, que inclui também a visão do Leo Prestes e da Rosana Hermann, você precisa ir na edição digital do Correio do Povo do dia 15 de setembro e folhear até a página 32/33. Colei aqui embaixo a íntegra do papo comigo.

Its Mais: Qual o perfil do usuário das redes sociais conhecidas? Por exemplo, o Orkut está mais relacionado com as classes C/D, o Twitter tem média de idade mais alta etc. Como este universo vai se movimentar, quais tuas próximas apostas em termos de sites de relacionamento?

Gustavo Mini: Eu acho que o Orkut vai permanecer durante muito tempo como a grande rede social brasileira. O brasileiro gosta de grandes movimentos mainstream, de ir atrás de um grande bolo. O Facebook vem crescendo, mas não acho que a curto prazo ele tome o lugar do Orkut. Diversos estudos falam sobre a demografia do Facebook, Twitter e Orkut, mas eu acho que isso é muito móvel. Daqui a pouco surge uma nova geração que redefine tudo. Então eu sempre acredito que qualquer regra é passageira. O que eu acredito que vai continuar acontecendo é um aprofundamento do uso de redes sociais, um refinamento de acordo com a necessidade de cada público e não em bloco: algumas pessoas vão se focar nos jogos sociais como Farmville, outras não vão estar nem aí. Fala-se na tendência de Social Commerce, de comprar estando dentro da rede social em vez de ir ao site de uma empresa. Mas o sucesso do Social Commerce é mais complexo do que o sucesso dos jogos sociais, porque exige que as empresas adaptem o seu modelo para o ambiente das redes sociais e falo de modelo de negócios, de modelo mental, modelo de operação, da comprar, estocar, vender e divulgar. Muitas coisas vão começar a acontecer dentro das redes sociais, mas isso depende muito da forma como elas vão facilitar a vida das pessoas. O Facebook ainda tem um funcionamento meio chatinho e complexo. O Orkut é mais basicão e direto. Eles fizeram algumas modificações agora, vamos ver como isso repercute com o tempo.

Its Mais: Qual o futuro do blog? Ele sobrevive ao meios mais instantâneos?
Gustavo Mini: Eu acho que como ferramenta de publicação ele pode se modificar, pode ir até pra dentro de redes sociais. Mas o que me interessa mais é o blog como modelo de reflexão, uma espécie de crônica da era digital, que permite explorar a fundo assuntos verticais, especializados, com uma certa informalidade. Eu acho que esse conceito de blog veio para ficar, seja em ferramentas de blogagem (como WordPress ou Blogger), seja em qualquer outro formato. Agora, o conceito de blog particular, de diário pessoal, esse foi substituído pelas redes sociais. E faz todo o sentido do mundo que isso tenha acontecido.

Its Mais: Quais, na sua opinião, são os atributos necessários para atuar nas redes sociais com sucesso?
Gustavo Mini: Depende muito do objetivo da pessoa ou da marca. Mas, no geral, eu diria que uma marca precisa saber que não é e nunca vai ser uma pessoa, que ela é uma marca, e que é melhor ela ser honesta quanto a ser uma marca e descobrir a sua voz de marca nas redes sociais do que fingir que é uma pessoa. As redes sociais são lugares de trocas, simbólicas ou concretas, e é bom que a marca tenha o que trocar, que ela não finja que seus valores simbólicos são concretos e vice-versa.

Its Mais: O Analista de Redes Sociais é o novo DJ? Qualquer um pode ser, é mais intuitivo ou devem ser seguidas algumas técnicas?
Gustavo Mini:
O problema do cargo de Analista de Redes Sociais é que ele é muito novo pra poder definir exatamente o que ele é. Tem que ter um pouco de intuição, mas definitivamente a pessoa precisa de um bom conhecimento técnico do funcionamento das redes sociais, dos sistemas de mensuração e de como construir diferentes estratégias para diferentes clientes. Só porque o cara fez um perfil muito engraçado que bombou no Facebook não quer dizer que ele saiba como replicar isso em outras situações.

Its Mais: Como você avalia a interação e atuação dos Analistas de Redes Sociais em Porto Alegre? Já é uma profissão consolidada?
Gustavo Mini:
Conheço poucos mas bons profissionais que estão se consolidando. Não é uma profissão consolidada, ainda não teve tempo pra isso. Mas tem pessoas bem bacanas que estão procurando ser mais do que “um jovem que passa bastante tempo no Orkut”. A pessoa tem que ter visão estratégica e conhecimento técnico, além de uma boa rede de relacionamento. Por exemplo, apesar de acompanhar este mundo de perto, eu sei que eu não poderia fazer isso pois não tenho a manha do relacionamento digital como algumas pessoas com quem trabalhamos. Não dá pra achar que qualquer mané com um perfil popular no Orkut pode trabalhar como Analista de Redes Sociais.

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