Mapas

Eu já comentei aqui algumas vezes de como novas tecnologias acabam trazendo de volta antigos hábitos, um paradoxo que fica bastante claro quando a gente olha exemplos como o celular fazendo papel de relógio de bolso.

Outro resgate curioso, nessa linha, é o uso cada vez mais comum de mapas. Os mapas são instrumentos que remetem a tempos antigos, quando as pessoas não conheciam o mundo e os seus caminhos. Hoje, os mapas voltam a ser popularizar com a inclusão de GPS nos carros, em vários modelos de celular ou simplesmente no uso cada vez mais comum de ferramentas como Google Maps no computador.

A geolocalização é a bola da vez. E com ela os mapas estão sendo reintroduzidos no nosso cotidiano de forma ubíqua. Pense bem: antes disso tudo acontecer, como era sua relação prática com mapas? Talvez você só os usasse em aulas de geografia ou em viagem. Garanto que os mapas não freqüentavam a sua vida como fazem hoje.

Essa volta dos mapas faz sentido não só do ponto de vista prático mas também simbólico. Apesar do mundo não ser um lugar tão desconhecido como era alguns séculos atrás, só mesmo com mapas pra gente se encontrar entre tantos caminhos e possibilidades que surgem aceleradamente todos os dias.

***

Foto daqui.

Texto inspirado num dos programetes Minimalismo que eu faço pra Oi FM.

O Minimalismo vai ao ar todos os dias às 9h30 e às 13h45 nas cidades onde tem Oi FM ou na webradio.

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4 pensamentos sobre “Mapas

  1. “Hoje a abstração já não é a do mapa, do duplo, do espelho ou do conceito (…) O território já não precede o mapa, nem lhe sobrevive. É agora o mapa que precede o território – precessão dos simulacros – é ele que engendra o território cujos fragmentos apodrecem lentamente sobre a extensão do mapa. É o real e não o mapa, cujos vestígios subsistem aqui e ali, nos desertos que já não são os do Império, mas o nosso. O deserto do próprio real.”
    (BAUDRILLARD, 1991, p.8)

    Fica aí a referência primordial da significância do GPS.

    E além do mais, de acordo com minhas anotações num livro, o GPS é uma ferramenta extremamente redundante hein?
    :S

    Abraço!

  2. “Hoje a abstração já não é a do mapa, do duplo, do espelho ou do conceito (…) O território já não precede o mapa, nem lhe sobrevive. É agora o mapa que precede o território – precessão dos simulacros – é ele que engendra o território cujos fragmentos apodrecem lentamente sobre a extensão do mapa. É o real e não o mapa, cujos vestígios subsistem aqui e ali, nos desertos que já não são os do Império, mas o nosso. O deserto do próprio real.”
    (BAUDRILLARD, 1991, p.8)

    Fica aí a referência primordial da significância do GPS.

    E além do mais, de acordo com minhas anotações num livro, o GPS é uma ferramenta extremamente redundante hein?
    :S

    Abraço!

  3. As preocupações também. Essa aí é do Drummond:

    “A impossibilidade de participar de todas as combinações em desenvolvimento a qualquer instante numa grande cidade tem sido uma das dores de minha vida. Sofro como se sentisse em mim, como se houvesse em mim uma capacidade desmesurada de agir.

    Entretanto, na parte de ação que a vida me reserva, muitas vezes me abstenho e outras me confundo. […] A ideia de que diariamente, a cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de ações que me teriam profundamente interessado, de que eu certamente deveria tomar conhecimento e que entretanto jamais me serão comunicadas, basta para tirar o sabor a todas as perspectivas de ação que encontro à minha frente.

    O pouco que eu pudesse obter não compensaria jamais esse infinito perdido.”

    Abs

  4. As preocupações também. Essa aí é do Drummond:

    “A impossibilidade de participar de todas as combinações em desenvolvimento a qualquer instante numa grande cidade tem sido uma das dores de minha vida. Sofro como se sentisse em mim, como se houvesse em mim uma capacidade desmesurada de agir.

    Entretanto, na parte de ação que a vida me reserva, muitas vezes me abstenho e outras me confundo. […] A ideia de que diariamente, a cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de ações que me teriam profundamente interessado, de que eu certamente deveria tomar conhecimento e que entretanto jamais me serão comunicadas, basta para tirar o sabor a todas as perspectivas de ação que encontro à minha frente.

    O pouco que eu pudesse obter não compensaria jamais esse infinito perdido.”

    Abs

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