Babbage

Esses dias eu estava curioso quanto ao nome do blog de cultura digital do The Economist (o Babbage). Do cruzamento da minha ignorância com um pouquinho de pesquisa brotou uma história bastante interessante, que na real deve ser do conhecimento de quem trabalha mais a fundo com tecnologia.

Por volta de 1830, o inventor e matemático inglês Charles Babbage (o bonito aí de cima) idealizou duas máquinas, uma chamada The Difference Engine e outra The Analytic Engine. A dupla é considerada, digamos, o avô e a avó dos computadores que usamos hoje pela incrível capacidade de processamento pra época. Os dois projetos nunca saíram integralmente do papel. O próprio Babbage interrompeu o desenvolvimento da primeira para dedicar o resto da sua vida à segunda, o que acabou comprometendo sua credibilidade com investidores e com o governo.

Incrivelmente, a principal interface de uso da Analytic Engine seriam os cartões perfurados, que eram de fato presentes no século 19 no controle máquinas têxteis mas que só viriam habitar o universo do processamento de dados na década de 50. Quem sacou essa história toda na hora, mais curiosamente ainda, foi a filha do poeta inglês Lord Byron, Ada Byron, a condessa de Lovelace. Ada, segundo consta, era uma matemática brilhante e a única pessoa que realmente entendeu a máquina de Babbage. Não só entendeu como escreveu programas pra rodar nela. A filha do Lord Byron, então, num clássico caso de oposição diametral ao pai, é dita a primeira programadora da história.

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A imagem aí de cima eu tirei de um blog bem bacana chamado The Thriling Adventures of Babbage and Lovelace, onde o animador Sydney Padua (que também fez um especial pra BBC sobre o assunto) desenvolve aventuras meio Steam Punk pra dupla de matemáticos.

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Falando em Steam Punk, também vale lembrar que toda essa onda também foi inspiração pro romance steam punk The Difference Engine do William Gibson em parceria com o Bruce Sterling. Esse eu não li, mas diz que trata de uma realidade alternativa do século 19 onde a máquina do Babbage teria se tornado popular.

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Agora, o bacana de descobrir isso tudo, fora pensar que rende um filme ruim com o Keanu Reeves, é imaginar quais são as inovações que a NOSSA época não está conseguindo botar em prática por falta de visão dos que rodeiam os visionários. Algumas pessoas talvez pensem que hoje é diferente, que nós não deixaríamos invenções como essas passarem em branco. Mas provavelmente os modernos lá de 1830 também pensavam assim.

A gente ri de vídeos do passado, como essa reportagem:

Mas não demora muito, a gente começa a rir dessas daqui:

É como eu digo de vez em quando: nós somos os toscos do futuro.

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