Síndrome de Aquisição de Equipamento

Novas tecnologias geram novas culturas. E novas culturas geram novos comportamentos, nem todos eles muito saudáveis. Um hábito típico dos novos tempos que todo mundo deve reconhecer facilmente é a Síndrome de Aquisição de Equipamento, que conheci por intermédio do meu amigo Takeda (que se diz um portador confesso dessa síndrome no que diz respeito a câmeras fotográficas vintage, mas eu acho que ele está exagerando).

Bom, de volta ao assunto. Segundo a Wikipedia, o termo surgiu em 1996 em um artigo da revista Guitar Player no qual o jornalista Walter Becker comentava sobre a mania de alguns guitarristas que se preocupavam mais em adquirir e possuir guitarras do que tocá-las. Hoje, o termo pode legitimamente ser estendido para notebooks, tablets, e-readers, mp3 players, games, televisões e, obviamente, celulares. O mais curioso no caso dos gadgets é que muitos desses aparelhos compartilham algumas funções, o que teoricamente que tornaria seus pares quase desnecessários. Mas, enfim, né.

Apesar da gente olhar ao redor e ver muita gente sofrendo com isso, a Síndrome de Aquisição de Equipamento não é considerada oficialmente uma condição clínica, um distúrbio passível de tratamento, com registro na Organização Mundial de Saúde e tudo mais. Quando isso acontecer, talvez já seja tarde demais e de qualquer forma as empresas de eletroeletrônicos já terão feito seu pé de meia.

Tem um outro aspecto dessa Síndrome: ela é uma versão culturalmente atualizada de uma carência histórica e comuma todos os seres humanos. Acontece que em algumas pessoas ela se manifesta dessa forma mais flagrante. Como já comentei aqui um tempo atrás, é muito mais fácil rotular alguém de consumista quando a pessoa está consumindo e acumulando bens materiais, mas pouca gente tem coragem de apontar o dedo pra quem compra livros ou baixa filmes compulsivamente. Eles também poderiam ser classificados dentro desse tipo de condição.

Em algum nível, todos nós estamos nesse barco. Se a gente for mais longe, podemos talvez colocar dentro dessa história quem não tem relação com objetos materiais mas que coleciona lembranças ou conceitos, muitos dos quais não usa e só estão ali ocupando espaço e arrumando encrenca.

Pois é. O furo é sempre mais embaixo.

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Novas tecnologias geram novas culturas. E novas culturas geram novos comportamentos, nem todos eles muito saudáveis. Um hábito típico dos novos tempos que todo mundo deve reconhecer facilmente é a Síndrome de Aquisição de Equipamento, que conheci por intermédio do meu amigo Takeda (que se diz um portador confesso dessa síndrome no que diz respeito a câmeras fotográficas vintage, mas eu acho que ele está exagerando).

Bom, de volta ao assunto. Segundo a Wikipedia, o termo surgiu em 1996 em um artigo da revista Guitar Player no qual o jornalista Walter Becker comentava sobre a mania de alguns guitarristas que se preocupavam mais em adquirir e possuir guitarras do que tocá-las. Hoje, o termo pode legitimamente ser estendido para notebooks, tablets, e-readers, mp3 players, games, televisões e, obviamente, celulares. O mais curioso no caso dos gadgets é que muitos desses aparelhos compartilham algumas funções, o que teoricamente que tornaria seus pares quase desnecessários. Mas, enfim, né.

Apesar da gente olhar ao redor e ver muita gente sofrendo com isso, a Síndrome de Aquisição de Equipamento não é considerada oficialmente uma condição clínica, um distúrbio passível de tratamento, com registro na Organização Mundial de Saúde e tudo mais. Quando isso acontecer, talvez já seja tarde demais e de qualquer forma as empresas de eletroeletrônicos já terão feito seu pé de meia.

Tem um outro aspecto dessa Síndrome: ela é uma versão culturalmente atualizada de uma carência histórica e comuma todos os seres humanos. Acontece que em algumas pessoas ela se manifesta dessa forma mais flagrante. Como já comentei aqui um tempo atrás, é muito mais fácil rotular alguém de consumista quando a pessoa está consumindo e acumulando bens materiais, mas pouca gente tem coragem de apontar o dedo pra quem compra livros ou baixa filmes compulsivamente. Eles também poderiam ser classificados dentro desse tipo de condição.

Em algum nível, todos nós estamos nesse barco. Se a gente for mais longe, podemos talvez colocar dentro dessa história quem não tem relação com objetos materiais mas que coleciona lembranças ou conceitos, muitos dos quais não usa e só estão ali ocupando espaço e arrumando encrenca.

Pois é. O furo é sempre mais embaixo.

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