Privacidade

Se der pra pescar um só, talvez o grande assunto do ano passado em termos de cultura digital tenha sido a privacidade. A sua privacidade, a das empresas e até a dos governos. Puxando pela memória, dá pra perceber que a questão da privacidade foi debatida intensamente ao longo de 2010 e numa crescente em termos de abordagem. Primeiro, veio o ponto de vista mais pessoal: discutiu-se muito como as pessoas estão colocando tantos detalhes da sua vida na rede. Depois, qual era a responsabilidade de ferramentas como Facebook e Orkut nessa história. Por fim, o vazamento de documentos diplomáticos oficiais de países pelo Wikileaks selou o ano. É possível ver um alargamento de foco aí, começando no microuniverso da “pessoa humana” e chegando a essas grandes organizações geopolíticas chamadas países. Quem pensou que a vergonha alheia resultante da curiosidade digital pudesse ser usado numa escala tão grande?

Em 2011, aposto que todos nós teremos um pouco mais de cuidado sobre o que vamos escrever e mostrar. Incluindo os governos. Na verdade não é bem uma aposta, já que tem muita gente que está curtindo a exposição. Então, não digo isso como quem vislumbra uma tendência. É mais um desejo pessoal mesmo. A evolução da cultura digital, ao que parece, acontece assim, com ondas equivalentes de abertura e retração, de exagero e equilíbrio. Meus votos para o ano que começa é que os excessos do ano passado sejam apenas a demonstração de nossa inabilidade coletiva diante de tantos protocolos sociais novos. Que não seja a regra. Porque se for… bem… prepare seu estômago e seus dedinhos dos pés para mais ondas (ou tsunamis) de vergonha alheia. Será esse o termo que vai definir a próxima década?

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6 pensamentos sobre “Privacidade

  1. Acho que isso imputa maior peso da responsabilidade sobre nossos atos.
    Talvez antes se tu fizesse algo nem sempre viesse a público, mas HOJE…
    É como o Eric Schimidt fala (ali no texto do Matias) ‘se você tem algo a esconder, talvez fosse melhor que você nem estivesse fazendo?’

    Mas aí tem coisa que tu só pensa depois de feito, e aí?
    Assuma.
    Namorada diz:
    ‘Te vi no fundo da foto de fulano no Facebook na festa de ontem, vc disse que ia ficar em casa.’
    Namorado diz:
    ‘É, fui mermo, tava lá mermo.’

    Quando fizer algo errado, conte pra todo mundo, aumente a história.
    Vai ser mais difícil de acreditarem.

  2. Acho que isso imputa maior peso da responsabilidade sobre nossos atos.
    Talvez antes se tu fizesse algo nem sempre viesse a público, mas HOJE…
    É como o Eric Schimidt fala (ali no texto do Matias) ‘se você tem algo a esconder, talvez fosse melhor que você nem estivesse fazendo?’

    Mas aí tem coisa que tu só pensa depois de feito, e aí?
    Assuma.
    Namorada diz:
    ‘Te vi no fundo da foto de fulano no Facebook na festa de ontem, vc disse que ia ficar em casa.’
    Namorado diz:
    ‘É, fui mermo, tava lá mermo.’

    Quando fizer algo errado, conte pra todo mundo, aumente a história.
    Vai ser mais difícil de acreditarem.

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