Roupa

Tendo tido boa parte de minha formação cultural na virada dos anos 80 pros 90, tenho uma relação curiosa com roupas. Além da bagunça natural da adolescência, na época estava em violenta gestação a hoje tão falada “estética grunge”. A linhagem era clara: havia um parentesco com o punk e com a cultura do noroeste dos Estados Unidos, com suas botas pesadas e camisas de flanela dos lenhadores. Nunca vi lenhadores, só os do desenho do Pica Pau e as informações batem.

No Brasil, a coisa chegou por intermédio das bandas. A vinda do Faith No More, com o Mike Patton de bermudão, camisa de flanela e cabelo batido embaixo do cabelo longo, tem uma influência tal na cultura brasileira que deveria ser estudada. A isso se seguiu a influência das fotos e clips de Nirvana/Pearl Jam/Soundgarden, e ainda teve um tempo em todos na Osvaldo Aranha (epicentro do underground local) parecia querer fazer figuração num vídeo do Beastie Boys…

A herança que isso tudo deixou em mim é curiosa: hoje em dia, basta eu colocar uma roupa que tenha sido passada que já me sinto um yuppie.

Coisas de brasileiro, classe média baixa, criado a muito Trapalhões, Renner e C&A… escrevi um pouco sobre isso em 2006.

***

Uma nota a mais.

Lá por 95, trabalhei com um redator da velha guarda que de vez em quando ia trabalhar de gravata. Ele dizia que adorava abastecer o carro quando estava de gravata, pois aí “Os frentistas me chamam de doutor”.

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3 pensamentos sobre “Roupa

  1. interessante essa indicação para estudo de caso da imagem de Patton no FNM e sua influ^encia no Brasil dos 80´s… me candidato… agora, fiquei confusa com ´sua última frase: “hoje em dia, basta eu colocar uma roupa que tenha sido passada que já me sinto um yuppie”. O q vc quer dizer com … uma roupa que tenha sido passada ?! e a relação com o estilo yuppie? beijos.

  2. Eu sempre tenho a impressão de que perdemos algo com o tempo, ganhamos experiencia mas perdemos algo. E não falo de juventude, saúde e eteceteras e tao, falo de perdas de geração, a gente sempre acha que no nosso tempo era melhor, que as gerações atual e futura nunca terão a vivacidade, loucura e cumplicidade que tivemos e, em alguns casos, isso até é verdade, mas sei que não é regra e apesar de saber, não consigo deixar de sentir

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