Patti Smith @ Cannes

O vídeo aí de cima é a Patti Smith cantando My Blakean Year depois de dar uma entrevista no seminário da agência Grey no Cannes Lions na sexta passada. Todos os anos a Grey traz um artista pra entrevistar e falar de seu processo criativo, contar histórias, etc. Em 2009 foi o Roger Daltrey, que falou dos anos de ouro do The Who e de como a adoção do jeitinho mod pela banda foi uma jogada de marketing.

Voltando à Patti Smith, o dela foi o único seminário no qual eu larguei de mão meu caderno e minha caneta. Como no vôo até Cannes fui lendo um bom pedaço do Just Kids (o livro de memórias sobre a relação dela com o Robert Mapplethorpe), sentia que não era o caso de ouvir e anotar, mas sim de simplesmente estar por lá e sentir qualé a da moça. E realmente, ela tem uma coisa meio xamânica que não tem como ser “anotada”.

Diferente do que eu pensava, ela entrou no palco toda sorrisos, de tranças. Estava certamente em outra batida, mas não distante nem separada da audiência. Foi extremamente atenciosa, realmente dividiu sua presença com todo mundo no lugar. Essa, eu acho, é a única frase exata que lembro dela dizer: “Sempre senti que não há divisão entre eu e meu público. Eu dou alguma coisa e ele me devolve algo”. Ou seja, o sentido mais profundo da palavra comunicação foi ensinado ali, com uma simples presença, sem qualquer outro recurso.

A não ser quando ela pegou o Just Kids pra ler uma carta que escreveu enquanto Mapplethorpe estava morrendo, um texto lindo que ganhou vida MESMO com um dos recursos mais poderosos da Patti Smith: a voz. Durante a leitura, ninguém comentava, ninguém falava nada. E olha que manter um auditório cheio de publicitários quietos não é pra qualquer um.

A leitura foi tão bonita que eu nem me dei ao trabalho de ligar a câmera, o que fiz só quando ela pegou o violão e tacou-lhe My Blakean Year. Antes disso, não parecia fazer sentido gravar…

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Um pensamento sobre “Patti Smith @ Cannes

  1. Eu gostei muito do livro, li meses atrás mesmo sem ter qualquer afinidade com a a arte dela(musicalmente falando). Ela tem uma aura mesmo, achei o livro e as idéias dela de grande beleza.

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