Narcóticos

Em matéria de aplacar angústias humanas básicas (solidão, morte, falta de sentido, brutalidade), o mundo contemporâneo pode estar sendo ineficiente, mas não dá pra dizer que é por falta de esforço. Poucas épocas na historia da humanidade (se alguma) oferecem tamanha diversidade de analgésicos para as pequenas e grandes dores da existência.

Mas o que eu acho curioso na nossa época é o seguinte: embora a farmacologia venha se sofisticando cada vez mais, bem como responsabilizada por tentar tapar o sol com a peneira, não é a ciência que tem criado os remédios mais populares e sim a cultura pop. Pela sua farta disponibilidade, seu diálogo constante com as vontades gerais e a possibilidade de auto-administração, a cultura pop continua sendo a principal fonte de busca em massa de conforto, escape e (nos melhores casos) transcendência. Entre Platão e Prozac, o pessoal ainda prefere Insensato Coração, Cat Power, Colheita Feliz, Two and a Half Men e Planeta Terra.

Levando-se em consideração que sempre acabamos usando novelas, seriados, músicas e games pra dialogar em algum nível com nossos dilemas mais profundos, talvez não seja uma má escolha.

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Imagem daqui.

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