Desconexão

O vídeo acima é o comercial de divulgação do “Dia Pra Desconectar“, uma iniciativa de um rabino americano pra incentivar o povo a dar um tempo da nóia de ficar o tempo todo checando email, rede social, sms e coisas do tipo. Essa história não é propriamente uma surpresa: a noção de que, em geral, estamos coletivamente exagerando vem se tornando pauta permanente da mídia, no cafezinho da firma e nas mesas de bar. É muita novidade a cada semana, é muito padrão social sendo mexido pela popularização de novas tecnologias. A isso segue-se naturalmente uso exagerado e, a seguir, questionamento, reflexão. Pelo menos, assim esperamos…

Mas tem duas coisas que me chamaram a atenção no vídeo do A Day to Disconnect.

Em primeiro lugar, sempre gosto de filmes que traduzem visualmente uma experiência mental – no caso, as pessoas que somem quando alguém está concentrado no celular ou no computador. É ou não é assim que rola?

Em segundo lugar, o formato pop de um recurso muito utilizado em práticas religiosas: essa história de escolher um período (uma hora, algumas horas, o dia todo) pra se desconectar é uma versão contemporânea de ferramentas antigas como jejum ou voto de silêncio. Particularmente, gosto muito dessas ferramentas e, quando usadas por vontade própria e com presença mental, acho que elas sempre produzem experiências interessantes e uma expansão de consciência (não de um jeito psicodélico, mas de realmente aumentar o conhecimento de primeira mão sobre um determinado fenômeno interno ou externo à sua mente).

Isso tudo também me lembra a fala do escritor Tom Chatfield no seminário do TED em Cannes. Reproduzo os parágrafos que escrevi para o blog da minha agência. Vale a pena relembrar, porque para Chatfield, “as duas mentalidades extremas, de abraçar totalmente ou repudiar as conexões digitais, são… extremas.

O conceito que ele propõe, de alternar as duas no dia-a-dia, pode parecer óbvio. Mas é tão óbvio que a maior parte das pessoas não se dá ao trabalho de tomar para si a responsabilidade de se conectar e desconectar, acostumando-se a culpar frequentemente os aparelhos digitais pelo tal de “information overload.”

A mensagem de Chatfield é clara: nós é que devemos escolher…

… quando vamos nos conectar e quando vamos nos desconectar. E não os aparelhos ou os conteúdos.”

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6 pensamentos sobre “Desconexão

  1. Esse vídeo é bem parecido com esse comercial de uma empresa de celulares da Tailândia:

    Mesmo sendo o negócio deles (fabricar celular), foram corajosos de dizer no comercial como é importante se desconectar!

  2. Esse vídeo é bem parecido com esse comercial de uma empresa de celulares da Tailândia:

    Mesmo sendo o negócio deles (fabricar celular), foram corajosos de dizer no comercial como é importante se desconectar!

  3. Tava dando uma volta na redenção ontem e comecei a reparar numa quantidade boa de casais portando máquinas fotográficas semi-profissionais. E não era ele OU ela. Era ele E ela. Cada um com a sua.
    E aí eu comecei a pensar na História: há 5 séculos, a História era documentada por, sei lá, uns 8% da população mundial. 500 anos depois, a História está sendo escrita e documentada por (quase) todos nós. Existe aí um senso de urgência de participação na História, de contribuir para a construção da memória coletiva. Mas eu acho que aí tem um porém: não dá pra chutar a bola e cabecear pro gol ao mesmo tempo. Ou dá?

  4. Tava dando uma volta na redenção ontem e comecei a reparar numa quantidade boa de casais portando máquinas fotográficas semi-profissionais. E não era ele OU ela. Era ele E ela. Cada um com a sua.
    E aí eu comecei a pensar na História: há 5 séculos, a História era documentada por, sei lá, uns 8% da população mundial. 500 anos depois, a História está sendo escrita e documentada por (quase) todos nós. Existe aí um senso de urgência de participação na História, de contribuir para a construção da memória coletiva. Mas eu acho que aí tem um porém: não dá pra chutar a bola e cabecear pro gol ao mesmo tempo. Ou dá?

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