Minhas impressões sobre o iPad 2 (e o mundo dos tablets)

Em janeiro, escrevi aqui sobre minha experiência de ter comprado e usar o Kindle. E avisei você que não era um cara muito dado a sair comprando o último gadget do momento por impulso. Confesso que disse aquilo com um certo orgulho, mas estou um pouco arrependido dessa bravata. Não porque eu tenha me tornado um gadgetmaníaco desde então, mas porque percebi que cada compra de eletrônicos pra mim é sempre um calvário. Deve ser bem mais fácil sair e comprar por impulso de uma vez por todas.

No caso do iPad, esse calvário incluiu quase dois meses de leituras e pesquisas pra saber: compro um iPad ou compro outro tablet qualquer que custe mais barato? Na época em que comprei (junho) a dúvida era ridícula. Como produto e como ecossistema (algo que explorarei mais adiante)o iPad era obviamente superior. Os concorrentes mais próximos claramente não chegavam perto do iPad. Mas eu queria me certificar ao máximo de não estar pagando pelo hype e cheguei a experimentar três ou quatro modelos em lojas.

Primeira questão, então: não adianta pesquisar apenas o tablet. Claro que é importante a pessoa manusear e sentir como é a interface e as funcionalidades básicas (peso, câmeras, sensibilidade da tela), mas no fim tem um fator crucial pra comprar um tablet que raramente é explorado nas tabelas comparativas que saem na imprensa – o ecossistema de serviços que envolvem o tablet.

Embora algumas pessoas assim o considerem, um tablet não é um netbook. Ele é uma lâmina que serve de interface para um universo que está na tal de nuvem. Tablet bom não é só aquele que é rápido, tem design agradável e interface bacanuda, mas principalmente aquele que anda em boa companhia. A loja de aplicativos, a loja de filme e música, a loja de livros e revistas, tudo isso faz parte quase da fisicalidade do tablet (e é a base do provável sucesso do Kidle Fire, que vem com uma Amazon como principal acessório). Pense assim: compramos uma TV pra que a TV suma e o conteúdo dos canais apareçam. Com o tablet, é mais ou menos a mesma coisa. Mas, como eu disse, nem sempre isso é destacado com a devida importância.

(Um adendo: essa experiência é sempre dependente de gambiarras no Brasil. Não existe uso pleno de tablet por aqui porque a maior parte das lojas de aplicativos tem restrições para o nosso país, o que exige se contentar com o que pode ou mergulhar no jeitinho.)

Dito isto, vamos para o segundo aspecto: não acredite em quem diz COMO você deve usar um tablet ou PRA QUE SERVE um tablet. É o uso que você der que vai determinar o que o tablet é. Eu comprei um iPad pra consumir conteúdo, pra assistir filmes carregados nele, pra ler jornal e revista. Mas acabou que o que eu mais faço no iPad é ESCREVER – coisas como esse post, os meus programetes de rádio pra Oi e anotações de trabalho em reuniões. Aliás, descobrir que ESCREVER é minha principal atividade no iPad me deixou mais tranquilo por não ter comprado um tablet com tela de 7 polegadas. Fica, então a dica: se você pretende escrever, prefira os modelos maiores.

Também não acredite em quem diz que você PRECISA de um tablet com 3G. Pra quem trabalha muito na rua ou viajando, é bem provável que valha a pena. Mas pra quem trabalha direto em locais com wifi ou tem em casa, não custa nada esperar algumas horas pra sincronizar anotações ou ler/jogar/assistir o que quer que seja na internet. No meu caso, a falta do 3G é um componente valioso pra minha capacidade de concentração. É um auxílio pra eu não me perder na “mania” de ficar navegando por qualquer besteira em qualquer lugar.

Porque tem isso: com um tablet, entrar na internet é muito menos trabalhoso. O tablet nos faz um pouco mais ridículos porque torna o ato de ligar um desktop ou um notebook algo “trabalhoso”. Preciso ver emails. “Putz… tenho que ligaaaaaaaaaaaaaaaar o notebook… esperar carregar…. entrar no browser… 2 minutos é muito tempo…..”. O que antes era leve e rápido, agora se torna um fardinho.

Por último: tablet é um luxo ou é pra todo mundo? Olha, eu acho que deveria ser pra todo mundo. Não dá pra dizer que é um artigo de primeira necessidade, mas ele facilita o trabalho, o estudo, o consumo de cultura, enfim, a inclusão digital (que é também inclusão social e econômica). Espero que surjam tablets com preços humanos (como o desenvolvido pelo governo indiano a 35 dólares e anunciado ontem) e com qualidade decente (já tem por aí tablets chinas a 200 reais, mas não saberia dizer sobre a experiência com eles…) A Amazon, de novo, prestou um bom serviço ao lançar o que parece ser um excelente tablet a um preço não tão proibitivo (claro, nos EUA, mas assim ela dá a morta). Muita gente pode se beneficiar do uso de um tablet e, organizando-se as demandas domésticas, equilibrando com a compra de um celular mais simples, ele pode compor sim uma escolha utilitária e que faça sentido. É claro que no início a gente se vê rodeado de equipamentos, mas acredito que com o tempo vamos aprender a racionalizar a bagunça toda.

Em resumo: num pequeno texto pra revista PEK (ainda vou escrever sobre ela aqui), eu disse que os tablets são como os koans zen budistas, ferramentas pra transcender o pensamento racional e quebrar caminhos formais do pensamento, deixando a mente mais flexível, fresca e criativa. O koan aparece geralmente como uma questão, uma pequena narrativa ou uma afirmação entregue a um estudante pelo seu mestre. Um koan clássico, por exemplo, pergunta: “qual é o som de uma mão batendo palmas?”

A função do koan não é propriamente ser respondido, mas investigado e raramente pode ser respondido de primeira. É assim que eu vejo os tablets hoje. Logo, não há porque ter pressa.

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4 pensamentos sobre “Minhas impressões sobre o iPad 2 (e o mundo dos tablets)

  1. Eu comprei um iPad e estou adorando. Uso para escrever.
    Perguntas: vc escreve direto na tela de toque ou comprou aquele tecladinho para acoplar no tablet?

    Pergunta 2: quais aplicativos – fora os de fábrica – você tem usado mais?

    abs

    • Escrevo direto na tela. Acho que se fosse pra comprar o teclado, melhor usar o laptop… Se bem q pra quem viaja e escreve bastante, o teclado deve valer.

      Uso muito o Evernote (organizacao pessoal), Dropbox (docs na nuvem) e o Documents (pra escrever).

  2. Eu comprei um iPad e estou adorando. Uso para escrever.
    Perguntas: vc escreve direto na tela de toque ou comprou aquele tecladinho para acoplar no tablet?

    Pergunta 2: quais aplicativos – fora os de fábrica – você tem usado mais?

    abs

    • Escrevo direto na tela. Acho que se fosse pra comprar o teclado, melhor usar o laptop… Se bem q pra quem viaja e escreve bastante, o teclado deve valer.

      Uso muito o Evernote (organizacao pessoal), Dropbox (docs na nuvem) e o Documents (pra escrever).

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