O que diabos dizer mais de Steve Jobs

Pois é: foi a questão que me coloquei ontem no início da tarde, depois de todo mundo já ter escrito (quase) de tudo. Então, o que me saiu pra gravar um Minimalismo especial pra Oi FM foi o seguinte:

“A essa altura você já deve estar sabendo que o fundador da Apple, Steve Jobs, morreu ontem devido a complicações de um câncer no pâncreas. A morte de Jobs está sendo comentada intensamente em jornais, canais de tv, blogs e nas redes sociais e o motivo é muito simples: ao longo da sua trajetoria ele deixou de ser apenas um empreendedor visionário pra se tornar um ícone do nosso tempo. A figura dele se fundiu com as criações da Apple, que foram no fundo as grandes reponsáveis por transformar tecnologia em cultura pop. Com a morte de Steve Jobs não morre essa nova forma de enxergar tecnologia, que já se entranhou na nossa cultura e transcendeu os produtos da empresa californiana. O que vai embora, além do ser humano e do empresário, é uma certa idéia de que precisamos de uma figura central, masculina, iconoclasta e controversa pra dar uma chacoalhada nas coisas. Essa missão agora, talvez fique nas nossas mãos. E quem sabe assim Steve Jobs vai poder descansar mesmo em paz.”

A isso, gostaria de adicionar mais duas coisas que me ocorreram entre ontem e hoje.

1. Entre tantos conceitos, acho que o Steve Jobs encarnou bem a idéia de CURADORIA, tão cara à nossa época. Eu sei que a palavra anda meio desgastada, mas pelo que me consta, é a melhor forma de descrever o que ele fazia: juntar idéias inteligentes, porém desconexas, e as colocar em um contexto, em um sistema, dar um sentido. Daí o sucesso de produtos que em outras empresas ou situações haviam naufragado (é sabido que não foi a Apple que inventou o mp3 player, o mouse, o mp3 ou o tablet). Pelo que se fala do Jonathan Ive (VP de Design Industrial) e o Tim Cook (atual CEO), parece que Jobs também era um bom curador de equipes e não só de idéias.

2. É imprescindível, nesse momento, botar na balança alguns artigos que contrapōem a beatificação do Steve Jobs. Isso não vai impedir que as pessoas sedimentem uma idéia planificada sobre o cara, mas não custa dar uma espalhada nesse tipo de informação. Segue aí então, um post do blog trezentos colocando Jobs como inimigo da distribuição, um texto de 2009 do Umair Haque sobre o custo real de um iPod e um artigo crítico que saiu em agosto na Carta Capital.

 

Update: tem um texto também com esse viés feito pelo Matias: ser um bom homem de negócios não o torna um homem bom.

***

PS: se você quer saber como seria Mad Men nos anos 80, leia o texto de Steve Hayden, redator da célebre campanha 1984, que lançou o primeiro Macintosh.

PS 2: Também recomendo o texto do meu vizinho Matias que dá uma geral sobre o significado de Jobs para a cultura.

PS3: Mais um interessante sobre a juventude de Jobs, do Financial Times.

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Um pensamento sobre “O que diabos dizer mais de Steve Jobs

  1. Bah! Totalmente pertinente teu comentário sobre a idéia de curadoria. Na realidade tecnológica que estamos vivendo, inventar traquitanas diferentes é algo que acontece o tempo todo, agora pegar um apanhado de idéias soltas e agrupa-las em algo realmente relevante é onde está a genialidade da coisa.

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