As conexões humanas

Seguindo o espírito do texto de ontem sobre o Conexões Globais, escrevo rápida e livremente sobre o segundo dia do evento (hoje dando mais nomes aos bois). A base dessas anotações foi o debate com sobre o Occupy Wall Street com a Vanessa Zteler, Wilhemina Trout, Renato Rovai e Emiliano Bos e também o debate da Pós-TV com um povo ligado ao cinema que eu não sei quem são.

1. O que mais me chamou a atenção ontem, sendo mais específico, foi a apresentação do Emiliano Bos, esse jornalista italiano que cobriu conflitos no Oriente Médio, na África e nos Balcãs. Em um evento cujo principal foco de discussão é a conexão digital como forma de mobilização, o Emiliano falou sobre os 43 milhões de pessoas que hoje estão em fuga de países em conflito ou em condições sociais e econômicas degradadas. Na foto lá em cima, ele apresentou as rotas de fuga e imigração da África e Oriente Médio. A vida dessas pessoas depois de fugir, segundo ele, é basicamente esperar (frequentemente em um campo de refugiados) por um pedaço de papel  que lhes devolva a cidadania. Supostamente, eles não tem influência política, não se mobilizam, não tomam partido de decisões, não votam. Ao menos não formalmente, porque informalmente Bos diz que eles são “foot voters”, que suas rotas são uma forma de voto, uma forma de escolha política.

2. A Vanessa Zetler participou ativamente do Occupy Wall Street. Segundo o folder do Conexões, ela foi a 19ª a acampar no Zucchotti Park. Ainda assim, abriu sua fala dizendo que não podia falar pelo movimento por ele ser descentralizado. Todos podem falar pelo movimento e ninguém pode falar pelo movimento. Ela se posicionou dizendo que estava ali falando da experiência dela durante a ocupação. É uma distinção importante em tempos de horizontalização.

3. O Renato Rovai trouxe uma questão interessante: a convivência entre as velhas estruturas de esquerda e os novos movimentos sociais. Do ponto de vista dele, é preciso haver um encontro, uma convergência, um aprendizado mútuo. As velhas estruturas precisam se apropriar das novas ferramentas (tecnológicas e sociais) e os novos movimentos precisam entender que estão operando em cima de uma história, eles fazem parte de uma trajetória.

4. O tema da sustentabilidade financeira na cultura é complexo. Algumas pessoas dizem que os empreendimentos  culturais precisam aprender a andar economicamente com suas próprias pernas, a não depender do flutuante apoio do Estado. Mas um senhor ontem disse em alto e bom som: “sustentabilidade financeira é o caralho. A indústria automobilística compra aço subsidiado desde a década de 50. Quando o mercado esfria, ganha redução de IPI ou crédito facilitado pro setor. Cultura precisa sim ser subsidiada. É política pública. É o nosso dinheiro.”

5. Vi agora há pouco duas coisas no debate ao vivo do Fórum de Mídia Livre pela Pós-TV:  1) “A gente precisa parar de pregar pra convertido!”. 2) “Os debates em torno da mídia livre precisam acontecer na rua.”

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2 pensamentos sobre “As conexões humanas

  1. Gustavo, sobre o ponto três há um livro interessante do Liszt Vieira chamado Os argonautas da cidadania – a sociedade civil na globalização. Talvez te interesse.

    abr.

    Rodrigo

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