Digital Gotham

 

À distância não tem como saber com certeza, mas se a gente for pelas notícias e pela repercussão que tem pipocado na internet, Nova Iorque vem se firmando como o grande exemplo de integração entre governo municipal e cultura digital. Meu parceiro André Azeredo está sempre me alimentando com manchetes sobre isso e esses dias ele me passou o “Road Map for The Digital City“, o documento que oficializa a estratégia da prefeitura da cidade pra desdobrar a participação digital dos cidadãos. Vale dar uma olhada porque, na verdade, eu diria que ele serve como modelo pra estratégia digital também em casos não-governamentais.

O plano é composto por quatro eixos: promover a indústria da tecnologia, promover o engajamento dos cidadãos, facilitar esse engajamento com transparência digital e, claro, facilitar o acesso à internet. Geralmente quando se fala em inclusão digital, as pessoas lembram só desse último item, mas é fundamental para o crescimento de uma cidade (ou de uma região) que esses quatro eixos cresçam integrados. O acesso à internet com redes de boa qualidade, mais baratas ou gratuitas é básico. A partir disso, é preciso construir uma estrutura política, cultural e econômica que dê sentido à existência da rede.

Uma rede sem pessoas, sem cultura e sem economia é só uma estrutura.

Em geral, as pessoas tratam por si só de gerar uma cultura. Já no aspecto economia, quase sempre é preciso algum tipo de diretriz oficial pras coisas andarem. Senão no sentido de investimentos, ao menos no sentido de SAIR DA FRENTE. Desse ponto de vista, o grande salto da cultura digital vai ser quando governos e empresas retirarem esse assunto da rubrica da tecnologia e o migrarem para o setor da economia, da educação, da indústria ou da infra-estrutura.

Mesmo a proposta da Prefeitura de Nova Iorque para isso, por mais avançada que seja, soa como uma etapa a ser superada. Uma das fatias da pizza ali em cima diz “Industry: a digital vibrant sector”. Não há dúvida de que hoje negócios digitais podem ser aglomerados em uma indústria: empresas de software, de hardware, de mobilidade, de processamento e armazenamento, de games, etc. Mas empresas como Nike e Ford, que não nasceram ligadas à tecnologia digital, vem investindo cada vez mais em inovações nessa área como o coração dos seus produtos e não só como penduricalhos pra agradar as pessoas.

Ao colocar a tecnologia no centro de indústrias tradicionais como calçados ou automóveis, essas marcas estão criando uma nova forma de enxergar certos setores. O que vai interessar daqui pra frente é a conectividade dos produtos e os ambientes digitais nos quais eles estão inseridos e não só os produtos isolados em si. Logo, é bem provável que muito e breve toda empresa se torne uma empresa de tecnologia.

Quando isso acontecer, a pizza lá de cima já datou. Mas pelo grau de esperteza dos novaiorquinos, é provável que eles já estejam com o forno pré-aquecido e uma nova receita pronta pra ser preparada.

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10 pensamentos sobre “Digital Gotham

  1. Choveu no molhado Bebê, ir procurar referências nos EUA sem se aproximar e garimpar boas ideias aqui no Brasil não me parece muito Pós-modernético e nem ético ao meu ver sobre o fazer Jornalismo de cunho social ou sintetizado. Mas há quem goste então se a rede é democrática salve, salve a Editora Ática. Abração

    • Maíra, fica ligada então porque essa semana inda sai post sobre o aniversário do Poa.CC.

      Tu também pode dar uma navegada nas seções “Minimalismo” e “Cultura Digital”. Volta e meia eu escrevo sobre o Brasil ali.

      Pena que o proramete de rádio que eu faço não tem arquivos em áudio (a rádio anterior (Oi) saiu do ar e que entrou no lugar (Rádio Oficial do Verão) também vai encerrar as atividades), porque lá eu já falei do Garoa Hacker Clube, Ônibus Hacker, Campus Party, Porto Digital, o Festival de Cultura Digital no Rio, mobilidade no Brasil, consumo de mídia digital por trabalhadores autônomos brasileiros e por aí vai…

  2. Choveu no molhado Bebê, ir procurar referências nos EUA sem se aproximar e garimpar boas ideias aqui no Brasil não me parece muito Pós-modernético e nem ético ao meu ver sobre o fazer Jornalismo de cunho social ou sintetizado. Mas há quem goste então se a rede é democrática salve, salve a Editora Ática. Abração

    • Maíra, fica ligada então porque essa semana inda sai post sobre o aniversário do Poa.CC.

      Tu também pode dar uma navegada nas seções “Minimalismo” e “Cultura Digital”. Volta e meia eu escrevo sobre o Brasil ali.

      Pena que o proramete de rádio que eu faço não tem arquivos em áudio (a rádio anterior (Oi) saiu do ar e que entrou no lugar (Rádio Oficial do Verão) também vai encerrar as atividades), porque lá eu já falei do Garoa Hacker Clube, Ônibus Hacker, Campus Party, Porto Digital, o Festival de Cultura Digital no Rio, mobilidade no Brasil, consumo de mídia digital por trabalhadores autônomos brasileiros e por aí vai…

  3. Sinceramente, essa hiper-conexão me assusta um pouco.

    Cruzando três textos com esse último do Gustavo Mini (http://www.oesquema.com.br/conector/2012/03/20/digital-gotham.htm), fico meio com o pé atrás com essa necessidade de estarmos todos conectados. Mesmo que isso possa ser uma coisa boa, me parece que os males do mundo digital são muito maiores do que suas possibilidades positivas e construtivas.

    Os três textos que eu cruzo, e que montam o meu medo, começam com um pequeno ensaio do Baudrillard sobre a globalização que vem assassinando nossa identidade para uma uniformalização global (http://www.baciadasalmas.com/2012/a-violencia-do-global/) que, junto com uma coluna de Alexandre Matias (http://blogs.estadao.com.br/alexandre-matias/2012/03/11/tablet-e-smartphone-sao-so-o-inicio-da-era-pos-pc/) mostra que aparelhos digitais são cada vez mais amigáveis e que com o tempo vão adivinhando nossas necessidades — e já existem algoritmos que fazem isso — o que nos tornaria cada vez mais preguiçosos, e fecho com um texto de Gustavo Mini (http://www.oesquema.com.br/conector/2011/10/19/o-futuro-de-mad-men.htm) comentando as práticas absurdas — talvez até ficcionais — dos anos 60 retratados em Mad Men que finaliza trazendo quais são os nossos traços contemporâneos que futuramente podem parecer absurdos pras próximas gerações e que provavelmente sejam absurdas não pelo ato em si, mas pela preocupação idiota já que provavelmente nesse futuro digital não existirá a possibilidade de se desconectar.

    Certamente pra quem já tem uma certa caminhada digital — e com sua cultura — esses males são facilmente contornáveis; porém acredito que boa parte da população passará eternamente numa adolescência digital, reféns de telas comprados por eles mesmos.

    Minha esperança está nos offliners do Tom Rachmann (http://blogs.estadao.com.br/link/romantismo-offline/).

  4. Sinceramente, essa hiper-conexão me assusta um pouco.

    Cruzando três textos com esse último do Gustavo Mini (http://www.oesquema.com.br/conector/2012/03/20/digital-gotham.htm), fico meio com o pé atrás com essa necessidade de estarmos todos conectados. Mesmo que isso possa ser uma coisa boa, me parece que os males do mundo digital são muito maiores do que suas possibilidades positivas e construtivas.

    Os três textos que eu cruzo, e que montam o meu medo, começam com um pequeno ensaio do Baudrillard sobre a globalização que vem assassinando nossa identidade para uma uniformalização global (http://www.baciadasalmas.com/2012/a-violencia-do-global/) que, junto com uma coluna de Alexandre Matias (http://blogs.estadao.com.br/alexandre-matias/2012/03/11/tablet-e-smartphone-sao-so-o-inicio-da-era-pos-pc/) mostra que aparelhos digitais são cada vez mais amigáveis e que com o tempo vão adivinhando nossas necessidades — e já existem algoritmos que fazem isso — o que nos tornaria cada vez mais preguiçosos, e fecho com um texto de Gustavo Mini (http://www.oesquema.com.br/conector/2011/10/19/o-futuro-de-mad-men.htm) comentando as práticas absurdas — talvez até ficcionais — dos anos 60 retratados em Mad Men que finaliza trazendo quais são os nossos traços contemporâneos que futuramente podem parecer absurdos pras próximas gerações e que provavelmente sejam absurdas não pelo ato em si, mas pela preocupação idiota já que provavelmente nesse futuro digital não existirá a possibilidade de se desconectar.

    Certamente pra quem já tem uma certa caminhada digital — e com sua cultura — esses males são facilmente contornáveis; porém acredito que boa parte da população passará eternamente numa adolescência digital, reféns de telas comprados por eles mesmos.

    Minha esperança está nos offliners do Tom Rachmann (http://blogs.estadao.com.br/link/romantismo-offline/).

  5. Beleza Gustavo, vaelu o teu respeito e retorno com teus leitores 😉 te mandei via twitter uma sugestão de tema para um “minimalismo” acho que tu vais gostar, sugeri algo sobre as dimensões dos direitos digitais, tem um material bom da USP por lá.
    Abração… “inté”, seguirei te seguindo

  6. Beleza Gustavo, vaelu o teu respeito e retorno com teus leitores 😉 te mandei via twitter uma sugestão de tema para um “minimalismo” acho que tu vais gostar, sugeri algo sobre as dimensões dos direitos digitais, tem um material bom da USP por lá.
    Abração… “inté”, seguirei te seguindo

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