Como foi Thurston Moore em Porto Alegre

Está provado & comprovado: Thurston Moore é um fanfarrão! O guitar-anti-hero mais célebre do rock contemporâneo abriu ontem sua tour pelo Brasil sacaneando os namorados & namoradas de fãs do Sonic Youth que levaram seus pares ao bar Opinião com a promessa de que “o disco solo dele é bem calminho, quase tudo no violão.” Bom, de fato, durante 80% do show o ovacionado TÃRSTON empunhou seu violão acompanhado de parceiros com outro violão, um violino e uma bateria que estava mais pra percussão do que tum-tum-dá de rock. Mas não demorou muito pra que os desavisados do local fossem apresentados ao que TÃRSTON sabe fazer melhor: barulho fino, bem estruturado, caos que consegue ser cerebral e visceral, ruído branco alternado com dedilhados elegantes entremeados pelas cordas dos três instrumentos & carregados por um baterista tarimbado. E tudo sem largar o violão na maior parte do set.

Tãrston

O clima geral, claro, era de celebração. Aquele bom e velho encontro de gerações portoalegrenses interessadas em gente interessante. E que esperava há muito tempo pela presença de uma figura tão emblemática, tão fundamental na formação musical de toda uma geração de roqueiros “alternativos”. Claro que por baixo estava o desejo de ser o Sonic Youth naquele palco, mas rapidamente se dissipou qualquer traço de resmungo que pudesse surgir no ar: o ruivão supriu totalmente a carência sônica do público empreendendo longas jams de microfonia & distorção entre um sonzinho calmo e outro. Não havia o que duvidar: é o bom e velho talento do cara para escrever canções que sobrevivem em ambientes sonoros inóspitos e agressivos. Quase um ensinamento de vida.

Foi um golpe experiente atrás do outro: um show de abertura em clima de revival anos 90 (embora o tal de Kurt Ville me lembrou até Galaxie 500 uma hora); canções decentes que bebem na fonte da sua banda original mas que não soam como sobras; piadinhas sarcásticas e nonsense; uma banda com músicos de personalidade; jams milimetricamente afiadas; COVER DE IT’S ONLY ROCK’N’ROLL BUT I LIKE IT, e, pra fechar com chave de ouro: ELE NÃO TOCOU O HIT DO DISCO, Benediction.

Entendeu? O TÃRSTON veio, trouxe o violão, fez barulho, botou um Stones no meio e não tocou o hit.

É muita malandragem…

***

A foto que abre o post é do Fernando Halal. As outras são do meu celular.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s