Snyder's

Primeiro, ele recontextualiza a palavra ‘conservadorismo’.

“O conservadorismo tem alguns significados válidos. Claro, a maior parte das pessoas que se denominam conservadoras não o são porque elas estão aí extraindo e usando, criando lucro. Curiosamente, artistas e pessoas ligadas à ecologia e à prática do dharma são os conservadores no melhor sentido da palavra, porque nós estamos tentando salvar alguma coisa!”

Depois, bota em perspectiva a atitude dos beats.

“Era uma época diferente na economia americana. Costumava ser assim: você chegava numa cidade estranha, arrumava um emprego, achava um apartamento, ficava por um tempo e então ia adiante. Sem esforço. Tudo que você precisava ter era algumas habilidades básicas e disposição pra trabalhar. Esse é o tipo de mobilidade que você vê celebrada por Kerouac em On The Road. Pra muitos americanos, era algo garantido. Isso dava uma qualidade despreocupada aos jovens trabalhadores norte-americanos que não tinham que frequentar uma faculdade se quisessem um emprego.”

(…)

Imagine tentar viver em São Francisco ou Nova Iorque com salário mínimo hoje. Você não consegue. Além do mais, não é mais tão fácil conseguir emprego.

O repórter segue:

“A liberdade e a abertura da economia pós-guerra permitiu a pessoas como Snyder, Kerouac, Allen Ginsberg, Lew Welch e outros se desfiliarem dos sonhos de respeitabilidade da América mainstream.”

São trechos de uma entrevista de 1996 que o poeta beat Gary Snyder concedeu pra revista Shambala Sun que me fizeram pensar muito no Brasil atual.

Primeiro, essa onda de conservadorismo. Que, como mostra a questão do Código Florestal, não quer conservar muita coisa apesar de vir de uma bancada “conservadora”. Eu sei que é um jogo semântico meio barato, mas não deixa de ser instigante, né?

Em segundo lugar, fico curioso pra ver que tipo de legado cultural essas primeiras décadas de estabilidade econômica vão imprimir no país. Porque, como os Estados Unidos nos provam há pelo menos 70 anos, a pujança de uma nação é paradoxalmente um dos melhores combustíveis para o surgimento de uma cultura pop, hmmm, bem… alternativa.

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