Sobre correr e escrever

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“Correr e escrever, ambas são atividades altamente viciantes; ambas são, pra mim, inextricavelmente ligadas à consciência. Não consigo me lembrar de algum momento no qual eu não estivesse correndo e não consigo lembrar de algum momento em que não estivesse escrevendo. (…) Essas atividades são intimamente ligadas ao ato de contar histórias, pelo motivo de que há sempre um eu-fantasma, um eu fictício, nessas condições. Por essa razão, eu acredito que toda forma de arte é uma espécie de exploração e transgressão. (…) Correr é uma meditação; do ponto de vista prático, me permite repassar, no olho da minha mente, as páginas que acabei de escrever, revisando erros e buscando melhorias.”

A escritora americana Joyce Carol Oates, num artigo de 1999 do New York Times, presta seu tributo às corridas como parte de seu processo de trabalho. Cita também os corredores ou caminhantes Henry James, Charles Dickens, Walt Whitman e conta algumas histórias da sua vida ligadas ao correr e escrever. Claro que lembrei do Haruki Murakami (cujo livro sobre corrida comentei neste post) e do Conversas com Woody Allen, no qual ele fala que “escreve” mesmo quando está caminhando por Nova Iorque e depois apenas senta para registrar na máquina.

De minha parte, também lembrei de minhas próprias caminhadas e voltas de bicicletas. Ainda que eu não tenha textos de fôlegos que precise processar fisicamente como fazem Murakami e Oates, muitos textos desse blog foram escritos e organizados antes na cabeça em giros por Porto Alegre. Tendo a concordar com o Woody Allen, numa abordagem mais simples que a exuberância das explicações de Joyce Carol Oates: uma coisa é escrever, outra é teclar.

***
Imagem: Cidade de Vidro, de Paul Auster & Dave Mazzuchelli

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6 pensamentos sobre “Sobre correr e escrever

  1. Se tem alguma coisa que li hoje que se faz verdade é esse texto. Correr e escrever estão ligados internamente pela expansão que o fazem na mente. Moro em uma cidade litorânea, e o verão me permite sair do trabalho às 18hrs e ainda curtir o por do sol na praia, e isso fervilha a inspiração. É incrível: o vento, o sal da água e as histórias aspirantes que brotam, no momento em que você se permite ficar sozinho e, simplesmente, andar.

  2. Se tem alguma coisa que li hoje que se faz verdade é esse texto. Correr e escrever estão ligados internamente pela expansão que o fazem na mente. Moro em uma cidade litorânea, e o verão me permite sair do trabalho às 18hrs e ainda curtir o por do sol na praia, e isso fervilha a inspiração. É incrível: o vento, o sal da água e as histórias aspirantes que brotam, no momento em que você se permite ficar sozinho e, simplesmente, andar.

  3. Novos autores que precisam ser (muito bem) vistos. Aliás, seu blog como um todo é uma boa referência em quadrinhos. Parabéns e continue assim.

  4. Novos autores que precisam ser (muito bem) vistos. Aliás, seu blog como um todo é uma boa referência em quadrinhos. Parabéns e continue assim.

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