A estrada do streaming

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Estava dando uma olhada nas reportagens sobre streaming de música que saíram nas últimas semanas, no Globoe no Link do Estadão. É um assunto rico, bem coberto por essas reportagens e ainda vai render muita saliva. Em geral, sou um otimista no que diz respeito ao comportamento ligado a novas tecnologias – as pessoas adotam mais rápido do que qualquer estudo possa imaginar e de um jeito que nenhum empreendedor imaginou. Mas, no caso do streaming, eu deixo meu lado cético aflorar e por um motivo muito simples.

O Brasil, por vocação, é um país que sabe gerar produtos sem gerar a infra-estrutura para utilizá-los. O melhor exemplo de todos é a indústria automobilística. Nosso país tem uma frota numerosa, uma variedade de modelos para todos os gostos e caminhos de compra para todos os bolsos. A rigor, o carro que você quiser, você dá um jeito de comprar. Agora, sai da concessionária com ele: trânsito urbano caótico, ruas esburacadas, furtos e roubos esperando na esquina, estradas municipais, estaduais e federais em estado miserável. O produto está aí, a infra não colabora

Com o streaming, é a mesma coisa. Se por um lado os serviços de streaming pago vão aportando no Brasil e oferecendo boas opções, por outro as conexões wireless com um mínimo de qualidade pra suportar uma vida em streaming ainda são uma raridade relegada a certas áreas de certos centros urbanos. Streaming pra uso em casa ou no escritório das capitais e grandes cidades parece um carro feito só pra circular em condomínio fechado.

Meu ceticismo diz que o streaming só vai deslanchar mesmo quando, entre outros fatores, contar com a colaboração das operadoras de celular na oferta de conexões confiáveis quer você esteja em casa, no ônibus indo trampar ou na BR rumo à praia – qual é a graça de contratar um serviço de streaming que você não pode ouvir decentemente indo pra praia ou pro trabalho? Se não for assim, o streaming vai acabar como mais um item que, pra funcionar, precisa ser acomodado e composto com tantos outros na sua já lotada vida digital.

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5 pensamentos sobre “A estrada do streaming

  1. Sim, aqui é o paraíso para esse tipo de coisa!
    – Vide 3G lixo;
    – Pacote de dados;
    – TV a cabo com imagem SD qualidade lixo;
    – TV por assinatura via satélite com SD lixo e HD lixo não importa a operadora;

    Alguns casos que me veem a cabeça sem pensar muito…

  2. Interessante, cara!

    Mas a minha bronca com o streaming é outra. Esse formato é pra mim é só uma forma de o ouvinte tirar o peso da consciência. Com ela o usuário se mune de um discurso de “estou pagando” pra poder se esquivar das acusações de download ilegal, mas quem está levando muita a grana são os serviços, não os músicos (que recebem tipo 0,00000004 centavos por play).

    Não que eu seja defensor do copyright a moda antiga. Na real eu prefiro liberar a música de graça e bolar outros jeitos de fazer com que ela seja rentável. Mas o streaming me parece um formato muito pobre, pois além desta desonestidade implícita, a qualidade é baixa.

  3. Sou usuário do Spotify e já não me imagino mais escutando música via mp3 convencional.

    Uso este serviço pelo único motivo deles liberarem p/ assinantes (R$20,00 p/ mês) a modalidade de ouvir sem conexão à internet as músicas pré-selecionadas tanto no computador quanto no iPhone, e em qualidade alta (320 kbps).

    Isso faz com que eles não dependam da infra-estrutura local p/ viabilizar o negócio.

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