Razões para seguir uma religião

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Estava com esse post encrencado há muitas semanas, mas a vinda de Karen Armstrong a Porto Alegre me deu um impulso final pra terminá-lo de uma vez. Armstrong é uma das poucas vozes que tem aparecido nos veículos culturais pra defender a ideia de que as religiões institucionalizadas não são exatamente uma coisa indesejável. Do ponto de vista mainstream, não parece que as religiões precisem de advogado: o número de praticantes das grandes disciplinas espirituais mundiais ainda é gigantesco e sua influência, maior ainda. Mas, ao menos nos círculos (físicos e digitais) que eu frequento, a palavra “religião” vem sendo proferida com uma mistura de desdém e desconfiança, o que me causa um certo desconforto já que eu sou o que se poderia classificar como uma pessoa religiosa. Sei que a maior parte das pessoas que me conhecem provavelmente não me colocaria na mesma turma daquela tia carola, mas vamos ver: eu rezo diariamente, eu vou a templos regularmente, participo de cerimônias, leio livros considerados sagrados, sigo preceitos, tomo votos e respeito autoridades religiosas. Desse ponto de vista (e apenas desse…), eu acabo mais perto da tia carola dos meus amigos do que dos meus amigos.

Para muita gente, ser uma pessoa religiosa hoje significa que você compactua com uma forma de manipulação, uma estrutura de poder, um sistema de pilhagem em grande escala, uma visão arcaica do mundo ou, na melhor das hipóteses, uma instituição caduca. Na base dessas acepções, geralmente estão experiências particulares com a Igreja Católica, o contato midiático com as Evangélicas, a ideia de que o Budismo no Ocidente é um hype e a péssima propaganda gerada por radicais tresloucados que se consideram representantes do Islã (quando, em geral, representam projetos de poder geopolítico). Outros vetores importantes na construção desse conceito de religião são a cruzada de certos intelectuais pelo ateísmo (Richard Dawkins e Christolher Hitchens sendo os mais pop deles), a recente adoção do ateísmo e da ciência como uma espécie de religião laica por muita gente, a disseminação de documentários amparando essa ideia (Zetgeist) e os infindáveis memes anti-clericais que tomaram conta das redes sociais.

A religião e a linhagem que eu sigo não tem qualquer apreço por proselitismo e evangelização mas, justamente por conta das minhas experiências positivas, me sinto compelido a defender a ideia de que a prática espiritual sistematizada traz imensos benefícios. Infelizmente, não tenho muito para oferecer em termos de argumentos a não ser essas experiências que citei, com certeza bastante subjetivas. Que me desculpem, então, os discípulos de Dawkins e Hitchens: esse texto é construído unicamente a partir das minhas observações e reflexões. Suponho que não há muito método científico aqui que não seja o empirismo.

Mas, enfim, diante dos conhecidos perigos da burocratização do caminho espiritual, qual é a grande vantagem que eu vejo em seguir um método organizado? Eu elegi quatro pontos que são importantes na minha prática espiritual pessoal: 1) O método 2) Ter aonde ir 3) Parceria 4) Referenciais vivos.

Em primeiro lugar, é justamente o fato de se existir um método. Para quem compreende o caminho espiritual como um processo de investigação a respeito de si, do mundo, do universo, da sociedade e do que regeria tudo isso, ter um método à mão coloca questões existenciais, por definição bagunçadas, dentro de uma moldura. O papel dessa moldura, a meu ver, não é (ou não deveria ser) congelar as dúvidas para pregá-las na parede e venerá-las emolduradas, mas sim confrontar o que nos é internamente nebuloso com uma estrutura de pensamento, o que costuma jogar alguma luz sobre a nebulosidade. O método, quando legítimo, também fornece fundamentais ferramentas de navegação interna. Como ferramenta, aliás, a moldura não tem uma utilidade final, ela não é o objetivo. Todos os mestres budistas que ouvi disseram que, resolvido o que o caminho se propõe, a ferramenta deveria ser abandonada, se torna desnecessária.

Uma curiosidade adicional: a convivência com um caminho espiritual que tem métodos muito bem delineados me fez perceber que, na maior parte das vezes, as pessoas que criticam os métodos religiosos vivem cercadas de outros tipos de métodos. E, frequentemente, submetem-se a esses métodos de forma absolutamente dogmática. O ambiente das artes e o mundo corporativo, dois exemplos que eu conheço bem, são pródigos nesse tipo de comportamento.

Bom, vamos adiante.

Em segundo lugar, um caminho espiritual formal traz o benefício de ter aonde ir. A criação de templos e centros de prática oferece um destino geográfico, um lugar de reunião e também um intervalo dos lugares que frequentamos cotidianamente. Os locais urbanos para prática espiritual são, via de regra, pequenos oásis de tranquilidade em meio ao caos. Os centros que ficam fora das cidades costumam oferecer contato com a natureza e com uma vida mais simplificada, dois elementos por si só catalisadores de reflexão e de cura psíquica. É claro que não é preciso vincular-se a uma religião para ter esse tipo de experiência. Mas é diferente quanto ela vem acompanhada do item anterior, o método, e de todo um contexto que induz à contemplação e não apenas a mais alienação sensorial.

Em terceiro lugar, um caminho espiritual formal provê parceria na busca. No momento em que você encontra a estrutura que lhe serve, automaticamente tem contato com outras pessoas que tiveram a mesma necessidade e o mesmo encontro. O contato com um grupo de praticantes do mesmo método permite que você contemple as questões cruciais que o levaram até ali sendo examinadas por outras pessoas, à luz de suas próprias dificuldades e de todo seu cardápio próprio de condicionamentos. É claro que emoldurar a diversidade com o método gera o risco de aplainar as inclinações e manifestações pessoais. Mas, por outro lado, se estamos falando de um método e de um local genuínos, a diversidade do grupo surge ainda mais flagrante, colorida e interessante. Não existe grupo de busca espiritual isento de diferenças, embates e dissidências. Pelo contrário, muitas vezes o método tende a exacerbar as diferenças de forma que as pessoas se obriguem a se flexibilizarem e a trabalhar com elas. Em duas ou três palestras, já vi a Monja Coen, da tradição zen budista, colocar da seguinte forma sua experiência de treinamento intenso em um mosteiro no Japão: as monjas são como bolinhas de ferro cheias de pontas colocadas em um mesmo recipiente fechado. Aquele recipiente, então, é sacudido. As bolinhas se chocam umas com as outras freneticamente até que, pelo atrito, as pontas sejam aparadas e fiquem lisinhas, lisinhas… Claro: para que o atrito não termine em guerra, é preciso método, objetivos comuns e muito manejo.

Em último lugar, o que talvez seja o mais importante, uma religião formal de tradição confiável costuma oferecer pessoas que são a referência viva do caminho. Em entrevista para a Zero Hora no último sábado, Karen Armstrong faz essa observação importante: “Devo falar sobre a natureza do conhecimento religioso, lembrando que é um conhecimento derivado da prática – especialmente a prática da compaixão – e não da correção doutrinária. É como nadar ou dirigir, algo que só é possível aprender através da prática diligente e não pela leitura de livros e textos.” Ou seja, uma referência é alguém que colocou em prática os ensinamentos da religião de forma tão íntegra que se tornou os ensinamentos. Se levarmos em consideração os aspectos mais essenciais de todo método espiritual que possa se dizer humano, que são o amor e a compaixão*, qualquer pessoa que queira ser uma referência desse método deveria necessariamente ser a corporificação do amor e da compaixão, não de forma particular e apenas servindo ao seu método, mas de maneira verdadeiramente ampla e universal.

Pra fechar, então.

Não é preciso chover no molhado: vivemos numa época em que as principais questões sociais perderam seu esquema de regulagem. As religiões institucionalizadas, em muitos casos, eram a baliza principal desse esquema. Talvez essa desconexão entre certas instituições religiosas e a sociedade tenha alguns frutos interessantes. Um deles é a necessidade de reformas e adequações na relação com as pessoas em geral. Outro, mais importante, seria o resgate do papel essencial das religiões de promover caminhos universais de amor e compaixão por meio do trabalho interno.

***

* Uma vez que amor e compaixão são palavras de significados amplos, ressalto que usei aqui as definições que aparecem em textos do budismo tibetano. Nesse caso, amor seria “o desejo de que o outro encontre a felicidade e as causas da felicidade” e compaixão, “o desejo de que o outro se livre do sofrimento e das causas do sofrimento.”

Imagem: daqui.

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32 pensamentos sobre “Razões para seguir uma religião

  1. DISSE O DALAI LAMA NO LIVRO ÉTICA PARA UM NOVO MILÊNIO: Não é preciso existir templo ou igreja, mesquita ou sinagoga, não há necessidade de filosofia, doutrina ou dogma complicados. Nosso próprio coração e nossa própria mente são o templo. A doutrina é a compaixão. Amor pelos outros e respeito por seus direitos e sua dignidade, sejam eles quem forem ou o que forem: é só o que afinal precisamos ter. Se praticarmos isso em nossas vidas diárias, não importa se somos instruídos ou ignorantes, se acreditamos em Buda ou em Deus, se seguimos outra religião ou nenhuma.

    • Oi, Georgina! As palavras do Dalai tem muito sentido. No entanto, creio que nesse trecho ele apresenta o alvo, o fim. Estamos a caminho e para que cheguemos a esse estado de “templo íntimo” muitas vezes precisamos de construir externamente, para depois destruir e construir internamente.

  2. Acho que seguir uma religião só tem sentido se possibilitar uma compreensão efetiva da realidade, o que significaria uma forma de libertação do problema da confusão. Infelizmente, a maior parte das religiões consegue o contrario, colocando o praticante numa fantasia que o distancia da realidade…o ceticismo com relação a elas tem sentido. O budismo tem o grande mérito de apresentar o sunyata, a realidade ultima liberta do pensamento conceitual, tão próxima da visão da física moderna.

  3. Naturalmente, o parâmetro para qualquer ideia é a realidade e, estamos tecidos numa trama, que não define nossas verdadeiras condições. A realidade não é autossuficiente.
    Nada definitivo, apenas, constante.

  4. Segundo também entendo Georgiana, teu comentário possui pressupostos muito adequados ao genuíno caráter do que pode ser considerado como: religião e religiosidade, e à ele me associo na íntegra.

  5. Segundo também entendo Georgiana, teu comentário possui pressupostos muito adequados ao genuíno caráter do que pode ser considerado como: religião e religiosidade, e à ele me associo na íntegra.

  6. Pingback: Razões para seguir uma religião | This is water

  7. Esse tema foi muito bem explorado (com devidas relações sociais, culturais e psicológicas) por Joseph Campbell, em toda a sua obra.
    O autor se tornou conhecido por explorar o papel dos mitos (e de modo abrangente, das religiões) em sociedades e civilizações diversas. Vale a leitura.

    🙂

  8. Aboru Aboue Abosise Gustavo Mini!

    Li com muita tranquilidade teu texto e afirmo-lhe com certeza, um dos materiais de auto reflexão que se encaixa perfeitamente entre os melhores.

    Não existe a fórmula certa geral, o que existe é apenas a fórmula certa em cada uma das religiões, mas que só será assim quando encontrada individualmente, portanto, todos nós podemos ser felizes plenamente em qualquer prática religiosa e só precisamos saber onde nos encaixamos melhor para que isso torne-se efetivo em nossa existência.

    Sou um praticante de uma religião africana à vinte anos, dos quais cinco, como sacerdote e o que escreveste aqui é exatamente o que percebo diariamente, quase que em cem por cento dos casos que me procuram, não vivo da minha fé, isto é, não me sustento da religião, faço isso porque é apenas o meu caminho e isso tornou-me um ser humano mais equilibrado e feliz, então percebo que ao fazer pelo próximo, também faço por mim, este é quem sabe meu eixo, meu equilíbrio.

    Então, como sacerdote, não poderia deixar de postar um texto que se encaixa, na minha ótica e dentro da doutrina que sigo, perfeitamente com seu texto:

    Odu Osemeji diz:

    “Ifá nos ensina que apenas sacrifícios* podem salvar** os seres humanos. A vida é desagradável sem sacrifício. Falta de fé ou auto-confiança demasiada é sempre uma tragédia”.

    * Eles podem ser um simples ato de doação à quem ou à uma causa justa que necessite de apoio.

    ** Salva-se todo aquele que não tem amor, quando ama. A salvação é apenas um entendimento filosófico e não aquela “salvação” onde se conquista um lugar sagrado no céu.

    Espero que vivas feliz plenamente com tuas concepções e saiba que muito me honra poder ter lido teu texto.

    Confúcio (+-500 a.C) dizia:

    “Homens de mente estreita veem apenas diferenças nas mais diversas religiões, homens de mente ampla, veem oportunidade”

    Um grande abraço!

    Ki Ifá gbe wa o! (Que Ifá nos fortaleça)

    • Herculano, quando ele diz que é necessário ele não está falando no texto que só a religião é suficiente para propagar o amor e compaixão; mas com certeza ela é mais um caminho para isso, ou seja, ela é necessária sim.

    • Acho isso bem apelativo, tendendo ao enganoso. Traços de amor e compaixão são inerentes aos seres humanos desde o nascimento. Assim como no comportamento de outros animais.

      E se formos agregar alguma conotação especial ao amor e compaixão citados, também caímos no ponto que valores podem ser transmitidos abertamente por escolas, famílias e informação. Não precisando apelar para genética de tradições nem nada disso para justificar essa propagação.

  9. Caro Babalawo Ifálólá Àjobí Agboolà,

    Respeito a sua opinião quando diz abaixo:

    “Não existe a fórmula certa geral, o que existe é apenas a fórmula certa em cada uma das religiões, mas que só será assim quando encontrada individualmente, portanto, todos nós podemos ser felizes plenamente em qualquer prática religiosa e só precisamos saber onde nos encaixamos melhor para que isso torne-se efetivo em nossa existência.”

    Mas essa felicidade plena pode perfeitamente ser encontrada na ausência da religião. A maioria dos ateus, me incluo entre eles, algum dia já foram de alguma religião e não se encontraram nela. A idéia da existência de um ser superior simplesmente não cabe na minha visão de mundo e nem por isso eu deixo de ter amor, compaixão, etc… pelo próximo. Procuro sempre fazer o bem para todos mesmo tendo plena convicção da inexistência de qualquer tipo de Deus.

    Abs

  10. Caro Babalawo Ifálólá Àjobí Agboolà,

    Respeito a sua opinião quando diz abaixo:

    “Não existe a fórmula certa geral, o que existe é apenas a fórmula certa em cada uma das religiões, mas que só será assim quando encontrada individualmente, portanto, todos nós podemos ser felizes plenamente em qualquer prática religiosa e só precisamos saber onde nos encaixamos melhor para que isso torne-se efetivo em nossa existência.”

    Mas essa felicidade plena pode perfeitamente ser encontrada na ausência da religião. A maioria dos ateus, me incluo entre eles, algum dia já foram de alguma religião e não se encontraram nela. A idéia da existência de um ser superior simplesmente não cabe na minha visão de mundo e nem por isso eu deixo de ter amor, compaixão, etc… pelo próximo. Procuro sempre fazer o bem para todos mesmo tendo plena convicção da inexistência de qualquer tipo de Deus.

    Abs

  11. Tua explanação é bonita e sensível. Temos que ter a liberdade sim de fazer parte deum movimento RELIGIOSO/ESPIRITUAL organizado. Por que não? Teu discurso é articulado e nada tendencioso. Por essas duas vertentes não discordo de ti, mas também não concordo. Não discordo porque falta sim, boas intenções as milícias do “não concordismo” reinante: seus integrantes são tão burros quanto os “dogmados”. No entanto não abordaste nenhum dos aspectos pelos quais se criticam as religiões sistêmicas: os apectos de organismos de domínio social e político, onde o creia emmim e me siga é igual a um me obedeça e minha opinião impera sobre as diverdsas possibilidades de pensamento e atitude. O tal.desprezo as diversidade. ENm tudo é assim, no entretantyo, mas a lógica de meu argumento se baseia na NECESSIDADE que as religiões tem de se estabelecerem como organismos políticos, seja em foram de Estado declardo, como o do Vaticano para os Católicos, ou o tentativa de estabelecer um, de forma velada e insistente com nos lobys evangélicos no congresso
    Copio tua citação embora não acredite que ela justifique teu artigo, pelo contrário:
    “Devo falar sobre a natureza do conhecimento religioso, lembrando que é um conhecimento derivado da prática – especialmente a prática da compaixão – e não da correção doutrinária. É como nadar ou dirigir, algo que só é possível aprender através da prática diligente e não pela leitura de livros e textos.”
    Fala-se aqui de exercício pratico e sisêmico de COMPAIXÃO e isso é o puro exercício de viver o eu individual e livre na beleza de transmitir e receber o amor do Pai.
    Um abraço, foi bom te ler.
    Felipe

  12. Herculano, quando ele diz que é necessário ele não está falando no texto que só a religião é suficiente para propagar o amor e compaixão; mas com certeza ela é mais um caminho para isso, ou seja, ela é necessária sim.

  13. Mini, bom dia…
    como fã do Walverdes e como teu fã, fiquei extremamente feliz que tenhas esse pensamento, e esse deve ser nosso norte, algo que nos faça refletir, e como melhorar como seres, e nos ajude a ter um Norte.
    grande texto, bela reflexão.

  14. Gente em geral: agradeço imensamente os comentários. Fiquei muito feliz de ver que por enquanto não apareceu ninguém querendo descer o cacete em ninguém aqui nesse espaçø.

    Fábio: gosto do trabalho do Campbell, sei do que se trata, mas nunca me aprofundei. Está na lista das leituras futuras.

    Babalawo: obrigado por suas palavras.

    Herculano: em nenhum momento eu disse que só a religião propaga a compaixão. Pelo contrário. Eu acho, por exemplo, que o Woody Allen também tem seus momentos especiais nesse sentido. Sou um quase-devoto de Woody Allen.

    Pedro Oliveira: concordo que algum tipo de plenitude pode ser buscada (e encontrada) por outros métodos que não a religião. Especialmente se a pessoa não se sente confortável com um métodos ou uma instituição religiosa específica. Quanto À plenitude, AQUELA FINAL À QUAL muitos místicos e artistas e cientistas e filósofos se referem… bem isso, é uma discussão maior que está além do meu alcance.

    Felipe: não acredito que exista qualquer agrupamento humano, religioso ou não, sem esses problemas. O fato de existirem organizações religiosas corruptas, a meu ver, não invalida o conceito e a validade das grandes religiões. O problema das religiões é que elas são buscadas (e se propagam) por uma certa imagem de perfeição. É aí que a porca torce o rabo.

  15. Gente em geral: agradeço imensamente os comentários. Fiquei muito feliz de ver que por enquanto não apareceu ninguém querendo descer o cacete em ninguém aqui nesse espaçø.

    Fábio: gosto do trabalho do Campbell, sei do que se trata, mas nunca me aprofundei. Está na lista das leituras futuras.

    Babalawo: obrigado por suas palavras.

    Herculano: em nenhum momento eu disse que só a religião propaga a compaixão. Pelo contrário. Eu acho, por exemplo, que o Woody Allen também tem seus momentos especiais nesse sentido. Sou um quase-devoto de Woody Allen.

    Pedro Oliveira: concordo que algum tipo de plenitude pode ser buscada (e encontrada) por outros métodos que não a religião. Especialmente se a pessoa não se sente confortável com um métodos ou uma instituição religiosa específica. Quanto À plenitude, AQUELA FINAL À QUAL muitos místicos e artistas e cientistas e filósofos se referem… bem isso, é uma discussão maior que está além do meu alcance.

    Felipe: não acredito que exista qualquer agrupamento humano, religioso ou não, sem esses problemas. O fato de existirem organizações religiosas corruptas, a meu ver, não invalida o conceito e a validade das grandes religiões. O problema das religiões é que elas são buscadas (e se propagam) por uma certa imagem de perfeição. É aí que a porca torce o rabo.

  16. Mini:

    Acho que teus 4 pontos…

    1) O método;
    2) Ter aonde ir;
    3) Parceria;
    4) Referenciais vivos.

    … constituem uma moldura de trabalho tão flexível, que pode ser aplicada a vários outros objetivos/processos, pessoais ou alheios, além da busca espiritual. São extremamente úteis e com certeza o teu empirismo resultou em um processo que me parece trazer um retorno extremamente satisfatório no caminho.

    Entretanto, apesar do teu asterisco em relação a Dawkins e Hitchens, tua proposta, ao meu ver, não se distância tanto de um método científico. 🙂

    Como sempre, um belo texto, food for thought.

  17. Oi Gustavo,

    Sou da turma espiritualista-universalista que bebe (com sede!) de várias fontes, sem seguir uma doutrina específica. Respeitando aqueles que como você se beneficiam de um caminho mais definido, gostaria apenas de responder aos quatro pontos que você coloca como favoráveis ao seguimento de uma religião institucionalizada.

    Acredito que o método (1) você pode construir o seu próprio, estabelecendo rotinas de leitura, meditação e práticas espirituais que aprende com os referenciais (4) vivos espiritualmente (não importando se encarnados no momento ou não). O objetivo é sempre ir para dentro de si mesmo (2) – o verdadeiro templo é o próprio coração. As parcerias (3) mais importantes na prática espiritual são as pessoas e contextos que atraímos para nossas vidas, estejam elas alinhadas ou não com nossa filosofia espiritual.

    Parabéns pelo excelente texto, é um diálogo inteligente e necessário com o atual preconceito às religiões.

  18. Olá Gustavo,

    Como alguém que também escolheu trilhar o caminho religioso num tempo de fanáticos crentes de um lado e fanáticos ateus do outro, suas palavras foram como uma brisa fresca em meio a esse caldeirão dos diabos (ops).

    Obrigado.

  19. MIni, quando esta moça citada no texto diz que “a natureza do conhecimento religioso é derivado especialmente da prática da compaixão”, aí forçou a tanga um pouco demais, né?

    Tu acha que eu, um anti-dogma e anti-publicidade convicto, se fosse religioso teria alguma compaixão com o amigo? Hahahaha!

    grande abraço fraternal

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