O email está vivinho da silva

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O noticiário de tecnologia e comportamento adora uma manchete sangrenta e o email tem sido uma vítima recorrente nos últimos dois ou três anos (embora você encontre por aí matérias dando o email como ultrapassado já em 2004). A Fast Company, a Slate, a PC Magazine e o Independent são apenas alguns exemplos de dezenas ou talvez centenas de veículos que se apressaram a abraçar as pesquisas que vinham indicando a migração de usuários jovens para outras formas de mensagem, mas alguns indícios mostram que, no meio de tanta mensagem instantânea, de tanta caixa de mensagem de redes sociais, o bom e (nem tão) velho email está resgatando seu valor. Por que acho isso? Vamos aos tais indícios.

1.A vontade de escrever esse post veio se construindo ao longo de alguns links com os quais esbarrei nas últimas semanas, sendo o mais recente o serviço de “higienização de inbox” Unroll.me. Através do Unroll.me, lançado em beta no ano passado, você pode organizar todos aqueles serviços e newsletter que assinou e condensá-los em um único email diário, o que abre espaço na sua caixa de entrada para os emails realmente relevantes, de amigos, família ou contatos profissionais. Não assinei o Unroll e nem sei se vou. Mas acho que ele está apontando algo interessante.

2. Some-se a isso a nova classificação por tabs do Gmail e você tem mais um movimento curioso que parece querer “arrumar a casa” do email para que ele seja mais e melhor utilizado diante da bagunça que se tornaram outras formas de comunicação. Afinal, particularmente nunca me caiu bem essa história de tentar colocar todos os serviços em um único messenger, como o Facebook tentou emplacar.

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3. Outro link curioso que chegou até mim foi o do Email Design Conference, um evento de uma empresa de teste e tracking de email em três cidade cujo texto de apresentação diz: “Nós amamos emails e amamos design”. Há quanto tempo você não via as palavras “email” e “design” juntas com um certo respeito, dessa forma? Para um meio dado como morto, é interessante a atenção que ele está recebendo.

4. O site de crowdsourcing de ideias Crowdspring recentemente publicou um artigo sobre a relevância do email marketing em relação aos consumidores captados via redes sociais. Mas a questão não é apenas comercial. Muitos sites e blogs de notícias, que estão turbinando suas newsletter já que o algoritmo do Facebook faz com que suas postagens de fanpage não estejam mais atingindo tanta gente quanto há um ou dois anos. O email, bem feito e adequado, acaba sendo mais eficiente e mais interessante para essa finalidade. Assine a newsletter do Red Bull Music Academy ou da Vice e você vai saber do que estou falando.

Em resumo: como sempre acontece, as mortes anunciadas de tecnologias e ferramentas costumam ser mais dramáticas e voltadas à geração de factóides do que propriamente realidades cristalizadas. A ideia de revalorização do email pode estar se apoiando numa certa saturação das mídias sociais, que nos últimos anos vem tentando intensamente encampar tudo que é serviço que lhes é possível, desde a mensagem instantânea até o conteúdo em vídeo. Ao que parece, a troca de mensagens mais longas e relevantes é mesmo do email e, estando vivinho da silva, ninguém tasca dele.

Mas e daí, qual a relevância disso? Bom, eu suponho que o email, bem organizado e bem utilizado, pode induzir a uma redução de poluição online, especialmente nas mídias sociais. Lembra há dois anos quando muita gente usava o Twitter como messenger? Lembra que saco era? Pois então, pode ser que um resgate do uso do email limpe um pouco os newsfeed e as timelines de expressões pessoais e promoções que seriam mais adequadas (ou ficariam mais escondidas…) se empreendidas via email.

A ver.

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Um pensamento sobre “O email está vivinho da silva

  1. Comecei a ler e sabe o quê? Isso eu tava pensando essa semana:
    A pressa de ler e ditar tendências faz o pessoal da comunicação (Fast Company, e todos seus similares) imaginarem o futuro como algo genialmente fantasioso, como os Jetsons faziam nos anos 70.
    Eu li algum texto sobre o futuro do mobile na TIME essa semana e um futurólogo disse que “no futuro você vai poder convidar o seu chefe pra jantar na sua casa e rastreando os dados inteligentes do convidado saber se ele tem alergia a algum tipo de comida”.

    Aí que me toquei: cara, cadê o paralelismo?
    Pensar em futuro é pensar nas áreas que vão se alterando em paralelo: qual vai ser o conceito de casa no futuro? Será que não vamos ser mais nômades? Será que vamos ter “chefes”? Será que vamos continuar praticando o ritual de jantar como algo pra impressionar socialmente o chefe? Só desses 3 pontos você pode abrir inúmeras hipóteses de futuro.

    Ler o futuro (as tendências) é montar um cubo mágico: você muda uma linha e muda toda a configuração do problema.

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