A lógica demente dos comerciais Lazy Phone

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A publicidade continua sendo uma das melhores fontes para entender o comportamento do nosso tempo. Os comerciais do Moto X, o celular da Motorola-Google, lançados essa semana, são ao mesmo tempo um bom indicativo de para onde vai andar o mundo dos smartphones (mesmo que seja por profecia auto-realizável…) e um gancho para ver a que ponto chega o descolamento entre a proposta concreta do produto e o jeito como ele é conceituado para vender. Se você não viu, veja os comerciais aí embaixo que a gente segue conversando.

Não sei se você percebeu, mas tem dois pontos interessantes nesses 3 comerciais:

1) A Motorola-Google acusa o iPhone de ser preguiçoso quando na verdade o preguiçoso é o usuário, que precisa cada vez mais de um aparelho que faça tudo por ele – procurar música, automatizar o modo vibratório, encontrar a câmera para fotografar. Essa é a lógica demente.

2) Isso se deve a uma questão muito simples: o smartphone virou um dispositivo lotado de aplicativos e funcionalidades. O Moto X está se vangloriando de resolver um problema criado pela própria cultura dos smartphones, que foi em grande parte turbinada pelo sucesso do Android. É a versão mobile da teoria do bode: os moradores de uma caverna nojenta reclamam do estado da caverna, o dono coloca um bode fedorento que deixa o lugar ainda pior, depois retira o bode e todo mundo fica feliz. Com a escalada da tecnologia é a mesma coisa. Frequentemente, aparelhos vendidos como milagrosos resolvem problemas “criados” pela geração anterior.

3) Vale perceber também como a cultura slacker está em baixa: o personagem Lazy Phone é um simulacro de Lebowski, uma coisa meio Zach Galifianakis em Se Beber Não Case, um Wilfred. No fundo, é um fanfarrão vestido confortavelmente que fica sofrendo bullying de usuários preocupados com eficiência no cotidiano. Isso não tá certo. Ele é bem mais interessante e divertido do que os chatos usuários do Moto X retratados nos comerciais.

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2 pensamentos sobre “A lógica demente dos comerciais Lazy Phone

  1. Huahuahau. A referência do Wilfred é muito evidente, não é? Concordo com a análise e vejo isso como algo inerente ao culto à tecnologia no qual vivemos. Fica a impressão de que nenhum aparelho reinará por muito tempo.

  2. Huahuahau. A referência do Wilfred é muito evidente, não é? Concordo com a análise e vejo isso como algo inerente ao culto à tecnologia no qual vivemos. Fica a impressão de que nenhum aparelho reinará por muito tempo.

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