O outro problema com os seriados

bench

Há pouco tempo, eu fiz eco a um artigo do Michel Laub no qual ele pesava alguns prós e contras da atual “era de ouro da TV” baseada em ótimos seriados. Lembrando rapidamente: se por um lado, muitas séries hoje são mais atraentes pela complexidade de suas tramas e pelo bom trabalho de atores, roteiristas e diretores, por outro elas demandam um envolvimento muito maior do que as tradicionais 2 horas no cinema, o que tem uma lista de implicações de cultura e comportamento.

Semana passada, almoçando com alguns amigos, um outro argumento sobre isso emergiu naturalmente. Durante o papo, começamos a comentar sobre os seriados que estamos assistindo e curtindo, mas a interação não foi muito longe. Como cada um está acompanhando um título diferente, já que todos na mesa assistem as temporadas independente do “tempo da TV”, baixando ou vendo em streaming, ficou difícil compartilhar opiniões e impressões sobre o andamento das tramas. Nota adicional do : mesmo quando duas pessoas estão acompanhando o mesmo seriado, quase sempre estão cada uma em um ponto diferente e quem avançou mais precisa ter cuidado com os comentários para não estragar as surpresas para o outro. Acaba assim: quem quer acompanhar seriado e ter o prazer de comentar com os outros ou se fixa na grade da maioria, como uma TV tradicional simulada, ou acaba tendo que viver num tempo diferente, como um presente mais extendido.

Aí está parte da explicação para o frenesi que Game of Thrones e Breaking Bad causaram nas redes sociais no ano passado. Sem desmerecer as óbvias qualidades intrínsecas dessas séries, é possível que uma boa parte do entusiasmo exacerbado tenha acontecido no vácuo de experiência compartilhada que o “assistir quando eu quiser” causa. Quem está na experiência compartilhada, como fã de novela e de TV tradicional, aproveita pra compor a torcida. Quem demora pra chegar NAQUELA reviravolta de temporada porque está vendo em outro tempo, acaba um pouco desorientado tentando pegar o rebote da onda de emoção.

Não que seja um grave problema social, mas é interessante, né?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s