Conector entrevista: Will Prestes/Wahgee

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Ok, vamos deixar claro. Isso não é bem uma entrevista, é um papo entre amigos. Conheço o Will há muitos anos, vi ao vivo as bandas dele de colégio e estamos sempre trocando ideia sobre música & coisas da vida. Claro, então, que há pelo menos dois anos ouço notícias e trechos do EP que ele recém lançou sob o codinome Wahgee – Will And His Good Enough English. Mas não adianta: quando a coisa é realmente colocada no mundo, de forma consolidada, o todo oferece uma outra perspectiva que mesmo os amigos precisam decodificar. Ouvido como uma pequena coleção de sons baseados em violão, voz e algumas percussões eletrônicas, Town & Country ganha uma força específica que tem, sim, um pé no powerpop que o Will abraçou durante os anos 00 com a Wonkavision. O outro pé está num lugar que eu quis descobrir direto com ele:

Conector: Antes de mais nada: como começou essa história de country/folk?
Will: Hmmm, é difícil ser preciso. Mas acho que nos anos 80. Ouvi muito o primeiro do Violent Femmes, e minha irmã tinha uma trilha de um filme gravado pela Dolly Parton. E nos 90 ouvi muito The Proclaimers, e algo de country pop que chegava aqui.

Conector: Eu ia justamente dizer que não me parece uma coisa de country/folk nessa onda recente, me parece com coisas mais antigas que tu fazia, mesmo ates da Wonkavision, coisas que só os amigos e colegas do colégio ouviram.

Will: Eu confesso que sempre quis ter uma formação como a do Violent Femmes do primeiro disco, mais acústica. Baterista de pé, etc. Mas tu tem razão. Tive uma banda chamada $uper nos anos 90. Não chegava a ser um folk, mas tinha violão, ao invés de guitarra.

Conector: Uma vez tu me contou de uma viagem que tu fez pros EUA e tinha um lugar muito sinistro… era New Orleans? Ou era Nashville? Eu fiquei com a impressão que tem algo disso nas músicas do Wahgee.
Will: Era a Beale St., em Memphis, na verdade. Coisa de louco aquilo num sábado a noite. É insano. Mas onde tu achou algo disso nas músicas do WAHGEE?

Conector: Não sei, alguma coisa na atitude caubói de se meter a tocar sozinho um som bem americano, com gaitinha e toda essas referências oitentistas. Pra mim soa como uma coisa destemida.
Will: Hahahaha. Bom, acho que a Broadway de Nashville tem mais a ver com isso. A Beale St. foi como estar num filme do David Lynch, ao som de Elvis, e com muitos, mas muitos anões. Inclusive a garçonete do Alfredo’s. Vale a experiência.

Conector: E como foi a experiência de gravar Town & Country? Foi bom? Foi um trabalho prazeroso ou foi um parto difícil? Quanto tempo demorou? Como tu fez?
Will: Foi bem diferente de outras gravações que eu fiz. A começar por não saber se dava pra gravar. Como a ideia é o-que-você-vê-é-o-que-você-ouve, eu não sabia se só eu tocando tudo ia encher o suficiente pra manter essa proposta. Eu tinha alguma ideia de como ficaria, porque durante uma semana aluguei um estúdio pelas manhãs e gravei ao vivão num iPad várias músicas. Ali, tive o primeiro sinal que seria possível. Quando fui gravar no Bunker, falei pro Rod (Rodrigo Brandão, produtor): “Cara, vamos tentar e gravar do jeito que eu toco, com os sons que eu toco ao vivo. Se faltar coisa, a gente repensa.” Mas deu tudo certo e não faltou nada.

Conector: Então é tudo ao vivo? Ou é só o que poderia entrar ao vivo?
Will: Só me ferrei nas harmonias de voz. Porque quando eu fiz o teste, fiz algo bem mais reto e simples. Na gravação, resolvi alternar voz solo com harmonias mais vezes. Agora tenho que treinar meu equilíbrio pra não cair enquanto ligo e desligo o pedal de harmonias, pois o outro está marcando a percussão. Não gravei ao vivo, mas os elementos são como se fosse. É a segunda opção, “só o que poderia entrar ao vivo”.

Conector: Quanto tempo demorou pra ficar pronto?
Will: Eu fiz aquela semana de testes no Nazari em dezembro de 2012 e comecei a gravar no Bunker em Fevereiro de 2013. A última master veio em dezembro de 2013. Como eu disse, foi bem tranquilo. Mas cara, acho que mais importante que as datas foi o processo de mudança, de encontro de um novo estilo. Come Home, que é a primeira do EP, eu escrevi em 2009. Foi um processo bem lento de achar um novo som e uma nova voz. E, nesse processo, o country foi tomando mais presença, principalmente nos licks e nas letras. Pra mim a cultura das letras da música country é fascinante, com todas aquelas analogias e temas singelos. O Country tem muitas fases e a mais moderninha se traduz nesse gênero “americana”, onde entra The Lumineers, Mumford & Sons, talvez Civil War. Sei que nunca vou fazer música country, pois é algo tão enraizado na cultura americana que seria algo totalmente sintético e falso se fosse feito por mim. O que eu tento é usar os elementos que gosto e tentar a duras penas fazer do meu jeito. Daí sai este folk com algumas pitadas de outras coisas. E mesmo eu citando o Violent Femmes, acho que os anos 80 aí não tem relevância. O som deles não é facilmente encaixável nos 80’s. Falo mais por ser algo que me marcou muito. Lembro de ter aula com o Yves, quando tava aprendendo a tocar violão e perguntar pra ele: cara, por que esses caras tocam desafinado? Na real, não era desafinado, mas os caras batiam tão forte naquele violão e no baixo acústico que o trastejado e as mil harmônicas que saíam enviesadas deixavam uma estranheza sensacional no som. Sem falar na voz esganiçada do Gordon Gano e nas letras cheias de angústia que ele escreveu na pós-adolescência. Eles eram uma banda punk acústica. Tiveram uma fase country e depois cagaram tudo colocando guitarras demais.

Conector: E os planos pra agora?
Will: Quero gravar uns lyric videos pra divulgar e começar a tocar em casas e apartamentos (comerciais ou de amigos). O importante é ter algo mais intimista…

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