O app Humin quer revolucionar minha agenda? Não, muito obrigado.

humin-app

Vi semana passada no Brainstorm 9 que tem um novo app (por enquanto apenas para iPhone) que pretende, nas palavras de seus criadores, terminar o trabalho de Steve Jobs no que diz respeito aos contatos do celular. A intenção parece valorosa. Segundo o site do Humin, eles querem “tornar a tecnologia mais humana, começando pelos nossos contatos”, fazendo com que nosso telefone “lembre de todo mundo que já encontramos de um jeito que nós naturalmente já pensamos”. Na prática, o Humin usa “informação contextual do seu calendário, contatos, redes sociais e email para oferecer uma experiência preditiva no telefone”, para que “ele pense exatamente como você”. O vídeo mostra melhor:

Sem dúvida, o Humin parece estar sendo desenvolvido por gente bem intencionada e positivamente ambiciosa. Porém, mais uma vez, fico sempre com a impressão de que esse tipo de aplicativo incorre em dois problemas de base. O primeiro é equiparar erroneamente eficiência tecnológica com experiência humana. O material de apresentação do Humin propõe um produto que reúne, lembra e processa um tipo de informação para o qual damos um outro tipo de atenção. Nossa mente é muito mais bagunçada individualmente e diversa coletivamente – cada pessoa tem suas próprias virtudes e vícios no processamento de informações e memórias. Além do mais, como nos lembra Viktor Mayer-Schönberger, esquecer é uma parte importante da sanidade mental. Um app que se propõe a lembrar de tudo e a fazer conexões de forma tão eficiente pode ser um feito tecnológico, mas não é necessariamente mais humano.

O segundo ponto problemático é o quanto um app desses vai exigir de tempo de gerenciamento por parte de seus usuários. Todo novo app que surge prometendo organizar nossa vida acaba, rapidamente, dando mais trabalho pra programar e controlar à medida em que seus tentáculos se estendem. Cada serviço digital que é criado considera que será o hub central da nossa atividade, mas no fim das contas acabamos com meia dúzia de hubs centrais que raramente se comunicam bem e que pedem, cada um, sua cota de atenção diária ou semanal.

Seja bem-vindo, Humin. Mas não vai me arrumar mais trabalho e confusão, por favor.

***

Leitura complementar – o pessoal do B9 linkou em seu post uma entrevista de um dos criadores do Humin para o The Verge. Ponto importante do texto levantado por seu autor: é provável que com o tempo a proposta do Humin não seja exclusiva e que os smartphones acabem abraçando esse tipo de abordagem em seus sistemas nativos. A ver.

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