Sobre o fim do OEsquema

OEsquema_2008-2015

O Sutra do Diamante, um dos mais importantes discursos do Buda, diz, a certa altura:

“Todos os fenômenos
São como um sonho, uma ilusão,
uma bolha, uma sombra
como o orvalho ou um raio
Assim devemos percebê-los”

O OEsquema foi um dos sonhos, uma das ilusões, uma das bolhas, uma das sombras, uma das gotas de orvalho, um dos raios mais bacanas dos quais participei na minha vida. Quando o Matias (Trabalho Sujo) e o Bruno (Urbe) me convidaram, em 2008, para dividirmos o servidor e um layout junto com o Arnaldo (Mau Humor), aceitei na hora. Depois de 3 anos de um Conector solitário no Blogger, foi uma alegria encontrar parceiros com quem podia não apenas ratear despesas mas também conectar ideias. Mesmo que em paralelo, sem uma proposta formal, sem uma linha editorial, sem reuniões de pauta, pouco a pouco fomos influenciando e complementando uns aos outros de maneira natural e crescente.

Com o Matias, eu já vinha interagindo desde os anos 90: estivemos juntos na Poplist (uma frutífera lista de emails de músicos, produtores e jornalistas de cultura pop), minha banda foi resenhada por ele no Trabalho Sujo de papel (uma coluna cultural no Diário do Povo de Campinas), publiquei textos no site dele, o 1999 (um site que durou um ano) e também na revista de cultura digital que ele editou (a Play, da editora Conrad). O Bruno eu já lia no Urbe, mas fui conhecer pessoalmente só depois do OEsquema já estar funcionando, numa passagem relâmpago por Londres onde ele me arrumou um sanduíche e um ingresso pra ver o Radiohead no Victoria Park. O Arnaldo, de quem também já era leitor e fã, fui conhecer anos depois, no lançamento de um microdocumentário sobre coletivos do qual o OE participava – quer coisa mais “era digital” do que conhecer seu sócio desse jeito?

Em 2010, vieram os outros blogueiros e nasceu nossa capa com uma característica básica: todo o conteúdo do http://www.oesquema.com.br sempre foi decidido pelos blogueiros integrantes. Nunca houve filtro, editor e nem editoria. O OEsquema, desde sempre, manteve coletivamente o espírito de fluxo de consciência da origem dos blogs. Nossa capa era um apanhado orgânico do que vinha rolando na cultura pop do jeito como a cultura pop está sendo feita – sem rótulos, sem retrancas, sem categorias estanques. O OEsquema era um blog de blogs.

Em 2013, o pico de audiência com a cobertura coletiva das Jornadas de Junho. Em 2014, a tentativa de profissionalizar o site, que acabou não dando certo porque nenhum de nós, dos sócios, poderia puxar o carro da profissionalização e, que se saiba, fluxo de consciência não é bom gestor de negócios. Decidimos pelo fim e voltamos cada um para seu endereço, com as malas cheias de experiências incríveis e amizades valiosas.

O fluxo continua. Eu vou estar por aqui no Conector. Os endereços dos outros quase 30 blogs do OEsquema vão estar em breve no http://www.oesquema.com.br.

Até mais.

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